A defesa de Mayanna Angelina Rodgers, mãe de Oliver Golden Grayson, menino de três anos morto após ser espancado pelo pai em Viamão, manifestou oposição à decisão administrativa que a impede de reconhecer o corpo da criança e de acompanhar os atos fúnebres. Dandre Jermaine Grayson, pai do menino, e Mayanna permanecem presos preventivamente, ela por omissão.
Decisão da prisão gera controvérsia
O posicionamento ocorre após a direção do Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier emitir um parecer contrário à liberação extraordinária da detenta, citando riscos de segurança devido à grande repercussão do caso. No ofício enviado à 1ª Vara Criminal de Viamão, a direção aponta que o envolvimento dela em um "crime de grande repercussão social" potencializa ameaças à integridade física da própria presa, dos agentes de escolta e à ordem pública. Sob a mesma justificativa de segurança, a administração prisional confirmou a transferência de Mayanna para o Presídio Feminino de Guaíba.
Defesa alega violência doméstica
Para a defesa de Mayanna, representada pelos advogados André von Berg, Isabel Cochlar e Juliana Braun Martins, a medida "desconsidera garantias fundamentais e impõe uma punição antecipada à mulher", a quem classificam também como vítima de um histórico severo de violência doméstica e cárcere privado imposto pelo marido. "Queremos registrar que os direitos constitucionais dela estão sendo desconsiderados. Ela é uma mãe cujo corpo do filho está no Instituto Médico Legal", pontua a advogada Isabel. Os defensores criticam o argumento de segurança utilizado pelo sistema prisional para vetar a escolta até o Departamento Médico Legal (DML) e o sepultamento.
Próximos passos legais
A defesa agora aguarda a manifestação do Poder Judiciário de Viamão sobre o pedido de liberação extraordinária para o sepultamento de Oliver. A Polícia Civil afirma que o menino de 3 anos teria sido espancado pelo próprio pai em Viamão. O missionário norte-americano confessou o crime e está preso desde domingo (5). Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que a motivação para as agressões foi o filho não ter lhe dado "bom dia".
Detalhes do crime
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora. A polícia também investiga eventual omissão da rede de proteção de Viamão. Os irmãos de Oliver seguem em um abrigo da rede de proteção. A investigação aponta que as crianças eram obrigadas a assistir a agressões dentro de casa.



