Marcola: fiel escudeiro de Lula investigado por receber dinheiro de amiga de Lulinha
Marcola: fiel escudeiro de Lula investigado por dinheiro

A Polícia Federal abriu uma investigação contra Marcos Valério de Souza, conhecido como Marcola, apontado como fiel escudeiro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por supostamente ter recebido R$ 300 mil de uma amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista. O caso ganhou repercussão após reportagem do jornal O Globo, que teve acesso aos autos do inquérito.

O que diz a investigação

Segundo os documentos, a transferência ocorreu em 2023, quando Marcola já atuava como interlocutor de Lula junto a empresários e políticos. A amiga de Lulinha, identificada como Fernanda de Oliveira, teria repassado o valor em três parcelas, com justificativa de pagamento por serviços de consultoria. No entanto, a PF suspeita que o dinheiro seja propina para facilitar contratos de empresas de Lulinha com o governo.

Em depoimento, Marcola negou irregularidades e afirmou que o pagamento foi por um trabalho legítimo de assessoria. Ele disse que conhece Fernanda há anos e que ela é amiga da família Lula. A defesa de Lula, em nota, classificou a investigação como "factoide" e afirmou que não há qualquer indício de envolvimento do ex-presidente.

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Reações e desdobramentos

A oposição, por meio do senador Carlos Viana (PL-MG), pediu ao STF que o caso seja anexado ao inquérito das fake news, que já investiga ataques ao sistema eleitoral. Viana afirmou que "a relação de Lula com Marcola sempre foi suspeita, e agora vemos que há dinheiro envolvido".

Especialistas em direito penal ouvidos pela reportagem apontam que, se confirmado o tráfico de influência, Marcola pode pegar até 12 anos de prisão. O caso também pode respingar em Lula, caso a PF encontre provas de que ele tinha conhecimento dos repasses.

Histórico de Marcola

Marcola, que já foi tesoureiro do PT e esteve no centro do escândalo do mensalão, sempre negou envolvimento em esquemas ilícitos. Ele foi absolvido no mensalão após recurso, mas responde a outros processos. Sua proximidade com Lula é antiga, e ele chegou a ser cotado para cargos no governo, mas nunca assumiu.

A PF também investiga se Marcola usou sua influência para beneficiar empresas de Lulinha em licitações. A amiga Fernanda de Oliveira já prestou depoimento e confirmou a transferência, mas disse que foi um empréstimo, que já foi quitado. Os investigadores, no entanto, consideram a explicação contraditória, pois não há registro de contrato ou pagamento de juros.

Impacto político

O caso ocorre em meio à preparação para as eleições de 2026, onde Lula é candidato à reeleição. A oposição já usa o episódio para atacar a imagem de integridade do ex-presidente. Pesquisa recente do Datafolha mostra que 45% dos eleitores consideram Lula corrupto, número que pode aumentar com novas denúncias.

O governo, por outro lado, tenta minimizar a repercussão e afirma que a investigação é parte de uma perseguição política. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que "a PF conduz os trabalhos com isenção e que o caso será apurado com rigor".

Enquanto isso, a defesa de Marcola tenta derrubar a investigação, alegando que a PF não tem competência para o caso, já que o dinheiro teria origem em transações privadas. O juiz responsável, no entanto, rejeitou o pedido e autorizou a quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos.

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