Lulinha vira alvo de três inquéritos no STF; entenda as investigações
Lulinha enfrenta três inquéritos no STF; entenda

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se alvo de três investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a abertura dos procedimentos em menos de uma semana. Os inquéritos tramitam sob a relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino e têm origem em elementos obtidos durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos indevidos sobre benefícios do INSS.

Quem é Lulinha e o que se investiga

Embora o empresário não seja formalmente investigado por participação direta no esquema que lesou aposentados e pensionistas, a PF apura se ele usou sua proximidade com o governo para favorecer interesses privados em negociações com órgãos da administração federal. A defesa de Lulinha nega todas as acusações e alega que as investigações configuram uma "pesca probatória", sem fatos concretos.

Primeiro inquérito: Ministério da Saúde e cannabis medicinal

O primeiro inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça em 30 de julho. A investigação busca esclarecer se Lulinha atuou para favorecer interesses do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações com o Ministério da Saúde. Segundo a PF, o foco são tratativas para um contrato envolvendo medicamentos à base de cannabis medicinal. O Careca do INSS é sócio da empresa World Cannabis e, conforme os investigadores, buscava viabilizar um acordo milionário com a pasta.

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A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, também aparece nas investigações por atuar na prospecção desses negócios. A PF tenta esclarecer se o filho do presidente participou da aproximação entre empresários e integrantes do governo.

Segundo inquérito: Dataprev e contratos públicos

No dia seguinte, 31 de julho, André Mendonça autorizou um segundo inquérito. Desta vez, a investigação mira uma suposta atuação de Lulinha para beneficiar empresários interessados em contratos com a Dataprev e outros órgãos federais. No centro dessa apuração está a empresa 3Structure IT Ltda., que atua na área de tecnologia e mantém quatro contratos vigentes com o governo federal, somando R$ 55,7 milhões. Dados levantados pela CNN Brasil mostram que a empresa já recebeu cerca de R$ 46,9 milhões em pagamentos da União relacionados a despesas e contratos públicos.

A PF apura se houve lobby em favor da companhia junto ao governo. Nesse procedimento, os investigadores apuram possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao autorizar o inquérito, Mendonça determinou que todos os atos da investigação fossem reunidos ao processo sob sua relatoria e estabeleceu que qualquer substituição de policiais da equipe responsável fosse previamente comunicada ao gabinete do ministro.

Terceiro inquérito: tráfico de influência e vazamento de informações

Nesta terça-feira (4), o ministro Flávio Dino autorizou um terceiro inquérito solicitado pela PF. A nova investigação também trata de suspeitas de tráfico de influência envolvendo empresas parceiras de Lulinha. Paralelamente, será apurada uma possível divulgação ilegal de informações sigilosas relacionadas às investigações. Nesse segundo eixo, a hipótese considerada pelos investigadores é que o próprio Lulinha possa ter sido vítima do vazamento.

Conexão entre os inquéritos

Apesar de tratarem de contratos e órgãos diferentes, os três inquéritos têm um ponto em comum: todos surgiram a partir de provas obtidas durante a Operação Sem Desconto, que revelou a atuação de empresários, lobistas e operadores em negociações com áreas do governo federal. Entre os personagens recorrentes está Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais sobre aposentadorias e pensões. A investigação também identifica a participação da empresária Roberta Luchsinger em negociações envolvendo cannabis medicinal e cita sua relação com Lulinha.

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"A defesa de Lulinha sustenta que não há provas de irregularidades e afirma que a Polícia Federal promove uma 'pesca probatória', expressão utilizada para descrever investigações que buscam elementos incriminadores sem um fato específico previamente demonstrado", diz a nota oficial.