Uma bebê de 11 meses, diagnosticada com pneumonia e dependente de oxigênio por cânula nasal, aguarda há quatro dias no pronto-socorro de Araçatuba (SP) por uma vaga de internação em leito hospitalar adequado para o tratamento. A Justiça determinou nesta quarta-feira (3) que a prefeitura de Araçatuba e o governo de São Paulo providenciem a internação em até 24 horas.
Segundo a decisão, à qual o g1 teve acesso nesta quinta-feira (4), caso não haja disponibilidade de vaga na Santa Casa de Araçatuba dentro do prazo estabelecido, o município e o estado deverão custear a transferência da paciente para uma unidade particular com estrutura compatível com as necessidades médicas.
Mãe relata agravamento dos sintomas
Em entrevista ao g1, a mãe Gabrielly Paolla Cini de Oliveira contou que os primeiros sintomas se agravaram na sexta-feira (29). Como mora em Andradina (SP) e não possui rede de apoio na cidade, ela viajou para Araçatuba em busca de atendimento médico para a filha.
A mulher relata que procurou o pronto-socorro no sábado (30), mas a bebê foi liberada após avaliação médica e orientações para fazer lavagem nasal. No dia seguinte, diante da piora do quadro e da dificuldade da criança para respirar e dormir, ela retornou à unidade. Após novos exames, a menina foi diagnosticada com bronquiolite e precisou ser internada no domingo (31).
Na quarta-feira, um novo exame apontou que a bronquiolite evoluiu para pneumonia. A criança também apresentou episódios de vômito. Desde então, segundo Gabrielly, a bebê permanece dependente de oxigênio devido ao desconforto respiratório. Ela relata que, sempre que o suporte é retirado, a saturação cai para níveis entre 90% e 92%.
Em crianças, o Protocolo Estadual de Sazonalidade Pediátrica, publicado no dia 14 de maio de 2024, mostra que índices abaixo de 95% já acendem um alerta para comprometimento respiratório, especialmente em quadros de pneumonia e bronquiolite.
"Me sinto péssima. Eu choro porque já não aguento mais ver ela sofrer e o peito chiando. Ela não sai do oxigênio, ela está sofrendo", lamenta a mãe.
Decisão judicial e situação atual
Na ação judicial, a família argumentou que a permanência prolongada no pronto-socorro, sem acesso a um leito hospitalar adequado, coloca a saúde da bebê em risco. Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que havia urgência no atendimento e determinou a imediata disponibilização da vaga.
Entretanto, até a última atualização desta reportagem, a criança permanecia no pronto-socorro.



