O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) derrubou, neste domingo (14), a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo, esposa de Aníbal Manoel Laurindo, ambos apontados como supostos mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri. A liminar foi concedida pelo desembargador plantonista Gilberto Giraldelli, que considerou que a investigada respondeu às investigações em liberdade desde o início do caso e possui “bons predicados pessoais”, além de ser pessoa idosa. A prisão havia sido decretada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.
Denúncia aceita
Na última sexta-feira (12), a Justiça de Mato Grosso tornou réus nove pessoas, incluindo o casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, por homicídio qualificado e integração em organização criminosa armada, no caso do assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em 5 de dezembro de 2023. Na mesma decisão, foi decretada a prisão preventiva de Elenice, apontada como integrante do núcleo que teria encomendado o crime.
Ao decretar a prisão, a magistrada destacou indícios de que Elenice participou diretamente da contratação do grupo criminoso e do pagamento pelos serviços executados. “As quebras de sigilo bancário indicaram saques vultosos em espécie de contas de sua titularidade, com depósito, em curto intervalo temporal, em conta de empresa gerida por Etevaldo Caçadini em valores e cronologia compatíveis com o pagamento de R$ 124.250,00 antes da execução e de R$ 60 mil após consumação do crime”, diz trecho do documento.
A juíza também apontou risco à ordem pública e à instrução criminal, além da gravidade do crime, classificado como homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Para a Justiça, os elementos indicam que Elenice ocupava posição semelhante à do marido, Aníbal Manoel Laurindo, que está preso preventivamente.
Segundo o Ministério Público, o homicídio teria sido executado por uma organização criminosa armada conhecida como “Comando C4”, especializada em homicídios sob encomenda. O crime teria sido motivado por uma disputa possessória envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, imóvel avaliado em cerca de R$ 100 milhões.
Prisão negada para outros
Já Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater tiveram o pedido de prisão negado. A juíza entendeu que eles são apontados apenas como integrantes do núcleo de apoio da organização criminosa, sem participação direta no homicídio. Além disso, eles já cumprem medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal, sem registro de descumprimento. Foram mantidas medidas como monitoramento eletrônico, proibição de contato entre os investigados, retenção de passaportes, recolhimento domiciliar noturno e proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
O crime
Roberto Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Ele foi morto com 10 tiros dentro do próprio carro. As investigações conduzidas pela Polícia Civil e posteriormente aprofundadas pela Polícia Federal apontaram a atuação de um grupo suspeito de praticar espionagem e homicídios sob encomenda.
A apuração do assassinato também levou à descoberta de um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que posteriormente alcançou suspeitas envolvendo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em fases anteriores da Operação Sisamnes, a Polícia Federal prendeu suspeitos apontados como mandantes, financiadores, intermediadores e executores do crime. O grupo se autodenominava “Comando C4”, sigla para “Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”.



