O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que pretende concorrer nas eleições de 2026 como uma "candidatura de protesto", segundo reportagem do jornal Valor Econômico publicada no dia 2 de agosto de 2026. A declaração, colhida por fontes do veículo, não foi detalhada na íntegra, mas já provoca reações no ambiente político, especialmente dentro do Partido Liberal.
Flávio, senador por Rio de Janeiro desde 2019 e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma das principais lideranças do bolsonarismo. Em 2018, recebeu mais de 4,38 milhões de votos para o Senado, a maior votação da história do estado. Também comanda o PL fluminense e exerce influência direta sobre a base bolsonarista no Congresso.
O que muda com a candidatura de protesto
Em sentido estrito, uma candidatura de protesto não tem objetivo de vitória, mas de transmitir uma mensagem. No espectro político brasileiro, já houve exemplos como o de Levi Fidelis (PSTU), que se lançou ao Planalto em 2010 para denunciar os governos petistas. No caso atual, a leitura de cientistas políticos é que Flávio busca reposicionar o próprio nome no tabuleiro eleitoral, diante da indefinição da direita para 2026.
A estratégia pode servir para influenciar a escolha do candidato do PL, hoje uma incógnita. O ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível até 2030, após condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, por 6 votos a 1, em processo que o acusou de abuso de poder político e desinformação nas eleições de 2022.
Nos bastidores, especula-se que a jogada de Flávio também visa fortalecer sua posição para futuras eleições, seja para o governo do Rio de Janeiro, seja para uma nova candidatura ao Senado. Alguns aliados, no entanto, temem que a medida provoque racha na direita e ajude o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Reações e cenário político
O anúncio ocorre em um momento em que o PL avalia possíveis nomes para a disputa presidencial. Entre os cotados estão os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ratinho Júnior (PR), além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Flávio, se entrar na disputa, poderia ampliar a fragmentação do campo conservador no primeiro turno.
Pesquisas recentes indicam que o eleitorado bolsonarista é fiel, mas não necessariamente transferível a outros postulantes. Uma candidatura de protesto poderia, na prática, capturar os votos do bolsonarismo mais radical, mas sem capacidade de alcançar o segundo turno. Isso, na visão de analistas, seria danoso aos planos da oposição.
Há ainda a leitura de que a movimentação de Flávio é uma forma de pressionar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a dar a ele mais protagonismo nas decisões partidárias. O senador já demonstrou insatisfação com a condução do partido em outros episódios, e a ameaça de uma candidatura paralela pode ser um instrumento de barganha.
Próximos passos
Segundo a publicação do Valor, Flávio teria comunicado sua intenção a aliados próximos. Ainda não há definição sobre o cargo para o qual ele se lançaria, nem se a candidatura será registrada formalmente. O prazo para filiações partidárias e registro de candidaturas nas eleições de 2026 depende do calendário eleitoral do TSE.
A assessoria do senador não confirmou nem negou a informação. O PL também não se manifestou oficialmente. O assunto deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas, com a realização de convenções e a definição dos palanques regionais.
Ao se colocar como "candidato de protesto", Flávio Bolsonaro acena ao núcleo duro bolsonarista, que rejeita qualquer moderação. A dúvida é se essa postura fortalece sua influência ou se o torna apenas um coadjuvante em um pleito que caminha para ser decidido entre Lula e o candidato que a direita conseguir unificar.



