O Tribunal do Júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de feminicídio e homicídio qualificado, foi suspenso nesta terça-feira (21) após a defesa alegar que não teve acesso a todos os documentos do processo e afirmar não ter condições de prosseguir com o julgamento. A sessão foi interrompida pela juíza, que remarcou o julgamento para 31 de julho, às 9h.
Defesa alega falta de acesso a documentos
Os advogados de Carlos Alberto Gomes Bezerra afirmaram que tiveram acesso a apenas cerca de dez volumes do processo e que receberam mais de mil páginas de documentos somente na última sexta-feira (17). A defesa também alegou uma suposta quebra da cadeia de custódia na extração de dados utilizados como prova e sustentou que não estava em igualdade de condições em relação ao Ministério Público durante o julgamento.
Na segunda-feira (20), a Justiça havia negado um pedido para adiar a sessão. Após a decisão de suspensão, os advogados anunciaram que deixariam o plenário. O Ministério Público questionou a medida. Os defensores permaneceram por alguns minutos no local, discutindo a saída e organizando a retirada.
Nova data e possível atuação da Defensoria Pública
Diante da renúncia da defesa durante a sessão, a juíza suspendeu o julgamento e remarcou o Tribunal do Júri para o dia 31 de julho, às 9h. Ela também determinou que o réu permanecesse no plenário para assinar a ata da audiência. Caso Carlos Alberto Gomes Bezerra não constitua novos advogados até a nova data, a Defensoria Pública será responsável por sua defesa no julgamento.
Entenda o caso
Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, Carlos Alberto Gomes Bezerra é réu confesso e está preso. Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), ele responde pelo feminicídio de Thays Machado, praticado por motivo torpe, em razão da inconformidade com o fim do relacionamento, mediante extrema violência e em circunstâncias que impediram qualquer reação da vítima.
Segundo a acusação, os disparos foram efetuados em plena luz do dia, em uma área urbana de grande circulação de pessoas, com o uso de uma pistola semiautomática. O Ministério Público também sustenta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, apontando que o acusado utilizou sua condição de ex-companheiro e sua superioridade física para exercer controle e violência contra a vítima.
Pela morte de Willian Cesar Moreno, o réu foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com o MPMT, a ação foi premeditada e executada de forma a surpreender o casal, sem possibilidade de reação ou fuga.



