Justiça adia julgamento de policial que atropelou filho de prefeito na Irlanda
Julgamento de policial atropelador adiado para 2027

O processo criminal contra o policial Neil Doyle, acusado de atropelar João Henrique Thomaz Ferreira, filho do prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), sofreu um novo adiamento. A audiência, que estava marcada para a manhã desta quarta-feira (29), foi remarcada para o dia 19 de janeiro de 2027. O motivo foi uma greve de advogados na Irlanda, que paralisou audiências cíveis e criminais em todo o país.

Audiência adiada por greve de advogados

De acordo com Sheila Thomaz, mãe de João Henrique, a paralisação dos advogados foi motivada por mudanças na remuneração paga pelo governo irlandês aos profissionais que atuam na assistência jurídica pública. Desde 1º de julho, eles passaram a receber um valor fixo de 520 euros por processo, enquanto antes o pagamento era de 240 euros pela primeira audiência e mais 60 euros por cada sessão adicional. Essa alteração gerou insatisfação e levou à greve, que afetou todo o sistema judiciário irlandês.

Além da greve, a Irlanda entra em recesso do Judiciário até outubro, o que contribuiu para que a nova data fosse marcada apenas para janeiro do próximo ano. Segundo a família, na audiência de janeiro de 2027, a defesa e a promotoria se reunirão para definir os jurados e marcar a data do julgamento do policial. Na última audiência, realizada em janeiro deste ano, Neil Doyle se declarou inocente da acusação de direção perigosa causando lesões corporais graves.

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Relembre o caso

João Henrique Thomaz Ferreira, que morava há cinco anos em Dublin, na Irlanda, trabalhava como entregador. Em 28 de outubro de 2023, ele teve a perna direita amputada após ser atropelado por um carro da polícia. Segundo a polícia irlandesa, João foi atingido pela viatura e prensado contra uma barreira metálica de proteção da pista. Os serviços de emergência foram acionados e confirmaram que o acidente envolveu um veículo oficial da Polícia Rodoviária.

Familiares e amigos afirmam que o atropelamento foi intencional. O caso foi investigado pela Comissão do Provedor de Justiça da Garda Síochána (GSOC), órgão independente responsável por apurar a conduta de policiais na Irlanda. Após a investigação, foi aberto um processo criminal contra o policial Neil Doyle, acusado de direção perigosa causando lesões corporais graves. O caso gerou repercussão entre entregadores que trabalhavam em Dublin, que realizaram protestos contra a xenofobia e pediram que o atropelamento fosse investigado.

Tratamento e recuperação

Após o acidente, João retornou a São José dos Campos para dar continuidade ao tratamento. Em julho de 2025, ele passou por uma cirurgia para correção da perna amputada, com o objetivo de melhorar a adaptação à prótese e a recuperação da mobilidade. A família segue acompanhando o caso e aguarda o desenrolar do processo judicial, que deve ter novos desdobramentos apenas em 2027.

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