O júri popular contra os irmãos Pedro Emanuel D'onofre Andrade e Otto Samuel D'onofre Andrade, ex-policiais militares acusados de matar o bicheiro Fernando Iggnácio, retoma na manhã desta sexta-feira (17) no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A sessão foi interrompida na noite de quinta-feira (16) após a oitiva de seis testemunhas e a exibição de depoimentos em vídeo, e será reiniciada às 9h30. O Ministério Público e as defesas apresentarão as alegações finais, com expectativa de sentença ainda hoje.
O crime e as acusações
Fernando Iggnácio foi executado no dia 10 de novembro de 2020, quando chegava ao estacionamento da empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio. Os irmãos respondem por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de emboscada que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo a denúncia, o crime foi encomendado pelo bicheiro Rogério Andrade, rival de Iggnácio e sobrinho de Castor de Andrade, preso em outubro de 2024.
Reconhecimento do local antes do crime
O delegado Moysés Santana, titular da Delegacia de Homicídios da Capital na época, afirmou em depoimento que Pedro Emanuel fez um voo de helicóptero de reconhecimento três dias antes do homicídio, em 7 de novembro de 2020. A rota foi a mesma percorrida por Iggnácio: de Ilha Grande, onde tinha casa de veraneio, até o Rio. Pedro pagou o voo panorâmico em dinheiro, entre R$ 1,3 mil e R$ 1,5 mil, e fotos do voo foram encontradas em sua nuvem digital.
O policial civil Luciano Konig, responsável pela análise dos dados telemáticos, declarou que o planejamento do crime começou possivelmente em janeiro de 2020, com imagens do fardamento usado no crime desde então. Konig também afirmou que, dias após o homicídio, Pedro e Otto participaram de um encontro e demonstraram preocupação com possíveis câmeras de segurança.
Investigação e provas
O delegado Moysés Santana detalhou que a investigação envolveu sete dias ininterruptos de análise de imagens, percorrendo cerca de 45 quilômetros de deslocamento do veículo usado no crime. Isso permitiu identificar o destino final dos autores em um condomínio em Campo Grande. O ex-PM Rodrigo Silva das Neves foi o primeiro preso, em janeiro de 2020, e condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão em abril deste ano.
Segundo o Ministério Público, a participação de Pedro e Otto foi confirmada por imagens de câmeras de segurança e dados telefônicos e telemáticos. Pedro calculou o trajeto e o tempo exato da vítima, enquanto Otto apresentou um atestado falso na Polícia Militar de São Paulo para estar no Rio na data do crime. A antena de seu telefone coincidia com a localização do carro Fox usado na fuga.
Júri desmembrado e defensoria
O julgamento dos irmãos foi desmembrado do de Rodrigo Silva das Neves. A defesa passou por mudanças: os réus destituíram o advogado Flavio Fernandes, que posteriormente foi reintegrado. Um pedido de incidente de insanidade mental para Pedro foi negado pela Justiça. Rogério Andrade, apontado como mandante, segue preso e responde a processo separado, com o STF negando sua liberdade.
Na sessão de quinta-feira, os réus permaneceram em silêncio. Foram ouvidas as testemunhas: o delegado Moysés Santana, o policial Luciano Konig, o coordenador de voo André Ribeiro Guerra, o zelador Jorge Alexandre Ferreira, o instalador de câmeras Eduardo Amâncio e a perita Maria Laura Almeida Barbosa. Depoimentos em vídeo do piloto Diego Tichetti e da administradora Vanessa Mouzo foram exibidos aos jurados.



