O empresário e designer de sapatos Jorge Bischoff não irá a julgamento pelo crime de importunação sexual após firmar um acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR) para suspender o processo por dois anos. A decisão foi validada em audiência e o termo foi acessado pelo g1. Com o acordo, Bischoff fica sujeito a condições como pagamento de R$ 80 mil a uma entidade assistencial e restrições de frequentar bares, viajar ou mudar de endereço sem autorização judicial.
Entenda o caso
Bischoff foi denunciado por assediar uma fisioterapeuta em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, em abril de 2024. A vítima relatou que foi contratada para realizar massoterapia no empresário em um hotel durante uma passagem dele por eventos na cidade. Segundo a denúncia, quando a profissional chegou ao quarto, o empresário estava apenas de roupão, sem roupas íntimas, o que causou estranheza. Durante a massagem, ele teria feito comentários de cunho sexual e mostrado seu órgão genital em diversas ocasiões.
Acordo de suspensão condicional
O acordo, proposto pela promotoria e aceito pelo réu, é um benefício previsto em lei para casos em que o acusado é primário e preenche outros requisitos legais. O MP-PR esclareceu que se manifestou contra o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mas verificou que Bischoff se enquadrava na suspensão condicional do processo. O advogado Renato Tauille, que representa o empresário, foi procurado, mas ainda não respondeu.
Reação da vítima
O advogado da vítima, Fernando Madureira, afirmou que, embora a vítima não seja consultada sobre o acordo, ela se sentiu acolhida e satisfeita com a resposta do sistema de Justiça. Ele destacou que o caso reforça a importância de profissionais vítimas de importunação sexual procurarem ajuda e denunciarem. "Mais do que o desfecho processual, o resultado representou para a vítima a confirmação de que sua palavra foi ouvida e de que a violação sofrida recebeu uma resposta concreta do Estado", disse.
Áudio e investigação
A vítima enviou áudios a uma amiga logo após sair do hotel, relatando medo e a vontade de deixar o local. O MP considerou o áudio, o boletim de ocorrência e prints de mensagens na denúncia. O promotor do caso afirmou que Bischoff agiu "dolosamente, com consciência e vontade, ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta". A Polícia Civil, por meio da delegada Cláudia Kruger, indiciou o empresário após a denúncia na Delegacia da Mulher de Ponta Grossa.
Detalhes do crime
Segundo o boletim de ocorrência, o crime ocorreu em 10 de abril, por volta das 16h. A fisioterapeuta contou que Bischoff ofereceu bebidas alcoólicas, que ela recusou, e apareceu com o roupão aberto, sem roupas por baixo. Durante a massagem, ele a elogiou e pediu que massageasse sua virilha, puxando a cueca para o lado. A vítima deixou o local e relatou o caso a uma amiga, que a orientou a registrar a ocorrência.



