IA já faz parte da rotina dos advogados brasileiros
IA já faz parte da rotina dos advogados brasileiros

Uma pesquisa inédita da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que 78% dos advogados brasileiros já incorporaram a inteligência artificial (IA) em suas rotinas profissionais. O estudo, conduzido pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, ouviu mais de 1.500 profissionais de todo o país entre os meses de março e maio de 2026.

Ferramentas mais utilizadas e tarefas automatizadas

Entre os advogados que usam IA, as ferramentas mais comuns são assistentes de pesquisa jurídica (usados por 62%), softwares de elaboração de petições (58%) e sistemas de revisão de contratos (47%). A automatização de tarefas repetitivas, como a triagem de documentos e a verificação de jurisprudência, é a principal finalidade apontada por 73% dos entrevistados.

“A IA não substitui o advogado, mas potencializa a capacidade de análise e agiliza processos burocráticos que consomem tempo precioso”, afirma o coordenador da pesquisa, professor Alexandre Pacheco. Ele destaca que a tecnologia permite que os profissionais foquem em atividades estratégicas e de maior valor agregado para os clientes.

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Impacto na produtividade e no mercado de trabalho

Segundo o levantamento, 65% dos advogados que utilizam IA relataram aumento significativo na produtividade, com redução média de 30% no tempo gasto em tarefas administrativas. Além disso, 42% disseram que a tecnologia ajudou a reduzir erros em documentos e a melhorar a precisão das pesquisas jurídicas.

O estudo também aponta que a adoção da IA é maior em grandes escritórios (com mais de 50 advogados), onde 89% dos profissionais usam alguma ferramenta de IA, contra 62% em escritórios de pequeno porte. “A disparidade reflete o custo de implementação e a necessidade de treinamento, mas a tendência é de democratização nos próximos anos”, avalia Pacheco.

Desafios éticos e regulatórios

A pesquisa identificou que 54% dos advogados têm preocupações com a privacidade e a segurança dos dados ao usar IA, especialmente em relação ao sigilo profissional. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já estuda a criação de diretrizes específicas para o uso da inteligência artificial na advocacia, conforme informou o presidente da comissão de tecnologia, Carlos Eduardo Mendes.

“Precisamos equilibrar inovação com responsabilidade. A IA pode ser uma aliada poderosa, desde que seu uso respeite os princípios éticos da profissão”, declarou Mendes. A OAB pretende lançar um guia de boas práticas até o final de 2026.

Perspectivas futuras

Para os próximos anos, 71% dos advogados acreditam que a IA se tornará indispensável na prática jurídica, e 58% planejam investir em novas ferramentas de IA nos próximos 12 meses. A pesquisa também revelou que 33% dos profissionais já utilizam IA generativa, como chatbots e assistentes virtuais, para auxiliar na redação de peças processuais e na comunicação com clientes.

“A transformação digital já é uma realidade no Direito brasileiro. A questão não é se a IA vai mudar a advocacia, mas como os profissionais vão se adaptar a essa mudança”, conclui o professor Alexandre Pacheco.

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