Números oficiais e críticas à metodologia
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou que os homicídios dolosos no Brasil caíram 4% em 2025 na comparação com 2024. No entanto, a entidade alerta que a nova metodologia adotada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública mascara a real dimensão da violência. A principal mudança é a exclusão de mortes decorrentes de intervenção policial e de latrocínios (roubos seguidos de morte) da categoria de homicídio doloso.
Detalhamento da queda e exclusões
Segundo o FBSP, foram registrados 41.100 homicídios dolosos em 2025, contra 42.800 em 2024. A redução de 1.700 casos representa 4%. Porém, se consideradas as mortes por intervenção policial (6.200 em 2025) e latrocínios (1.800), o total de mortes violentas intencionais sobe para 49.100, uma queda de apenas 2% em relação a 2024 (50.100).
Críticas do Fórum de Segurança
O presidente do FBSP, Renato Sérgio de Lima, afirmou: “A mudança na metodologia pode dar a impressão de que a violência está caindo mais do que realmente cai. Ao excluir mortes por intervenção policial e latrocínios, o governo cria um indicador que não reflete a realidade da letalidade violenta no país.” Ele complementa: “É fundamental que a sociedade tenha acesso a dados completos e transparentes para avaliar as políticas de segurança.”
Impacto da exclusão nos indicadores
A exclusão das mortes por intervenção policial é particularmente controversa. Em 2025, foram 6.200 mortes por ação de policiais em serviço, número 3% superior ao de 2024. Essas mortes, antes contabilizadas como homicídios dolosos, agora são classificadas como “mortes decorrentes de intervenção policial”. O FBSP argumenta que essa separação dificulta a comparação histórica e pode subestimar a violência letal.
Contexto nacional e comparação histórica
O levantamento do FBSP é baseado em dados oficiais fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança. A nova metodologia foi implementada pelo Ministério da Justiça em janeiro de 2025, sob a justificativa de alinhar o Brasil a padrões internacionais de classificação de mortes violentas. O FBSP, no entanto, ressalta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) recomendam a inclusão de todas as mortes violentas intencionais em uma única categoria para fins de monitoramento.
Reações e desdobramentos
Especialistas em segurança pública ouvidos pelo FBSP consideram que a mudança pode afetar a alocação de recursos e o planejamento de políticas. “Se os dados mostram uma queda maior do que a real, o governo pode reduzir investimentos em áreas que ainda precisam de atenção”, alerta Lima. O Ministério da Justiça, por sua vez, defende a nova metodologia como mais precisa e transparente, mas não comentou as críticas do FBSP até o fechamento desta edição.
Dados regionais e tendências
O estudo do FBSP também aponta disparidades regionais. No Nordeste, a queda nos homicídios dolosos foi de 6%, enquanto no Sudeste foi de 3%. Já as mortes por intervenção policial cresceram 5% no Nordeste e 2% no Sudeste. O Fórum destaca que a análise por estado mostra que, em 10 unidades da federação, o total de mortes violentas intencionais (incluindo intervenção policial e latrocínios) aumentou em 2025.



