O governo de Minas Gerais apresentou nesta quinta-feira (16) a localização de itens que compunham o acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial de governadores. Em audiência pública na Assembleia Legislativa (ALMG), a diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, rebateu acusações de desaparecimento dos bens. Deputados da oposição cobram mais esclarecimentos e a apresentação de um inventário completo.
Acervo catalogado e distribuído
Luísa Barreto informou que há mais de 3.900 itens e bens relacionados ao Palácio das Mangabeiras. Entre eles: 187 sob guarda da Codemge; 90 obras de arte, itens e mobiliário no Palácio da Liberdade, incluindo 19 quadros; 2 quadros no Palácio Tiradentes; 1.200 livros (700 coleções) na Biblioteca Pública; 31 poltronas e 1 projetor de cinema na Fundação Clóvis Salgado; mais de 2.400 pratarias, talheres e utensílios nos palácios Tiradentes e Liberdade; e mais de 50 itens de roupa de cama e banho no Palácio Tiradentes.
“Tudo foi destinado, está guardado, algumas coisas em exposição. E é muito importante, então, que a gente entenda que a ausência física de alguma peça no Mangabeiras não significa desaparecimento”, afirmou Luísa Barreto.
Detalhamento dos itens e destinos
O governo também divulgou nota sobre o acervo. Sobre os 63 itens doados pela Codemge à Secretaria-Geral em 2020, o Executivo afirmou que se trata de “mobiliário decorativo”, dividido entre o Gabinete Militar do Governador, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e a Secretaria de Governo. Esse acervo inclui abajures, poltronas e mesas no Palácio da Liberdade, além de sofás, cadeiras, televisor e outros itens guardados em um galpão da Codemge em Belo Horizonte. Alguns itens foram leiloados.
Os 187 materiais sob guarda da Codemge possuem “menor valor cultural” ou “médio valor cultural”, como câmeras de segurança, aparelhos de ar-condicionado e armários de cozinha, localizados no galpão ou no próprio Palácio das Mangabeiras. Itens de maior valor artístico-cultural, como livros, quadros e louças, foram destinados a equipamentos públicos de reconhecida capacidade técnica. Quadros, aparadores, tapetes, louças e roupas de cama e prataria estão sob guarda do Palácio da Liberdade e do Museu Mineiro. Um biombo assinado por Emiliano Di Cavalcanti, datado de 1952, está exposto no Palácio da Liberdade.
Oposição questiona transparência
Deputados da oposição consideram as informações insuficientes. “Trouxeram aqui um rascunho de julho de 2019. Não entregaram o inventário dos bens, o que é o pressuposto para comparar o que havia ali dentro. Sem essa inventariança completa, o que não foi entregue aqui, nós não temos condições de dar início ao processo de averiguação”, afirmou o deputado Leleco Pimentel (PT).
Na última terça-feira (14), a deputada Lohanna (PV) apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para apurar “possíveis irregularidades” na gestão e preservação do patrimônio. No início do mês, a Polícia Federal foi acionada pela deputada Bella Gonçalves (PT) para investigar o caso. Os parlamentares também criticam o uso comercial do imóvel e apontam riscos à preservação histórica. O deputado Professor Cleiton (PV), presidente da Comissão de Cultura, disse: “A questão, para mim, é a opção que foi feita lá atrás pelo desmonte do Palácio, que poderia ser conservado e, inclusive, utilizado para visitação com tudo lá dentro”.



