Familiares das 62 vítimas da queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), anunciaram uma nova ação judicial coletiva de responsabilidade civil por danos morais. A iniciativa, que não substitui as ações individuais já em curso sob sigilo, deve ser apresentada após a conclusão do inquérito da Polícia Federal (PF). O objetivo é responsabilizar não apenas a companhia aérea, mas também pessoas físicas, empresas e instituições que possam ter contribuído para a tragédia.
Acesso inédito a transcrições da cabine
Nesta terça-feira (30), representantes da Associação dos Familiares das Vítimas tiveram acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas na cabine do voo 2283 e a detalhes do laudo técnico que embasa a fase final do inquérito da PF. Segundo o advogado Leonardo Amarante, que representa a associação, a ação coletiva focará nos danos causados não apenas às vítimas e seus parentes, mas também ao transporte aéreo brasileiro.
“A associação vai ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais coletivos em função do que essa empresa causou para o transporte coletivo, transporte aéreo no Brasil, danos gravíssimos, não só os danos às pessoas, às vítimas, como também a própria coletividade”, afirmou Amarante.
Responsabilização ampla e valor ainda indefinido
O advogado destacou que a ação buscará responsabilizar todos os envolvidos, incluindo eventuais fabricantes de equipamentos que falharam. “Nós vamos procurar responsabilizar todos os envolvidos, inclusive até eventualmente fabricantes de equipamentos que falharam.” O valor da indenização coletiva ainda não foi definido, mas será calculado com base na extensão dos danos provocados pelo desastre.
A ação será ajuizada após a conclusão da investigação criminal e dos trabalhos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Reta final das investigações
O anúncio ocorre quando os familiares veem a investigação se aproximar de uma conclusão, quase dois anos após a queda do avião. Após a reunião, os advogados afirmaram que a expectativa é de que a PF conclua o inquérito nos próximos 30 dias e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF).
Vice-presidente da associação e mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais nova da tragédia, Adriana Ibba disse que o documento reforçou uma convicção já compartilhada pelas famílias. “Provavelmente haverão, sim, alguns indiciamentos e nós não vamos aceitar que fique só na culpa de piloto e copiloto, até porque seria muito conveniente. Houve, sim, erro e houve culpa de outras pessoas”, afirmou.
Famílias veem comprovação de tragédia anunciada
Para a presidente da associação, Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianne Albuquerque, a conclusão técnica da investigação fortalece a busca por responsabilizações. “O que vem no laudo é uma comprovação de tudo aquilo que a gente tem falado na imprensa. Houve sim uma culpabilidade e que ali era uma tragédia anunciada. Esse não foi um acidente. Isso foi uma tragédia que todos sabiam que ia acontecer.”
Relembre o caso
O ATR 72-500 da Voepass caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), durante um voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo morreram. Além da investigação criminal da PF, o acidente também é apurado pelo Cenipa, responsável pela investigação técnica das causas da queda. As duas apurações são independentes.
Até o momento, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não divulgaram oficialmente nomes de investigados nem anteciparam eventuais indiciamentos.



