Os familiares de Vanessa Nobre Martins, jovem de 19 anos morta em 2013 em Sertãozinho (SP), manifestaram profundo pesar após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de anular o julgamento que havia condenado Junio Cesar Roza Giorgetti a 30 anos de prisão. A notícia reabriu feridas e trouxe de volta a angústia para a família.
Revolta e medo entre os parentes
“Voltou toda a dor. Tem familiar passando mal e coração está sangrando. Reviver tudo isso novamente. E está pior ainda, porque a gente fica com medo. Tem tudo isso e é complicado”, desabafou um dos parentes, que preferiu não se identificar. O réu, que era namorado da vítima à época do crime, havia sido condenado pelo júri em 2023.
Após recurso da defesa de Junio, o ministro relator Ribeiro Dantas entendeu que não foram encontradas provas concretas da autoria do crime. Na decisão, o magistrado acolheu uma manifestação do Ministério Público, que afirmou que as investigações não produziram nenhum elemento de convicção contra o réu. Com isso, o acusado deve aguardar por um novo julgamento em liberdade.
Sentimento de injustiça
Para a família, a decisão gerou um forte sentimento de injustiça. “Está sendo difícil. Nós perdemos a Vanessa e, infelizmente, sabemos que ele estará solto. A gente quer sim a justiça para ele ser preso outra vez. Ele sabe que acabou com a vida dela”, afirmou outro familiar.
Promotoria recorre
Na última segunda-feira (15), a Procuradoria-Geral de Justiça recorreu da decisão do STJ e pediu a manutenção da condenação de Junio. Para o Ministério Público, o julgamento não poderia ter sido anulado uma vez que a defesa não apresentou fato novo que justificasse a revisão do processo. A defesa, por outro lado, sustenta que a Procuradoria-Geral de Justiça já havia emitido parecer favorável pela revisão criminal do caso, alegando que não há elemento objetivo para a condenação do réu.
Relembre o caso
Vanessa foi encontrada morta na tarde de 30 de setembro de 2013. De acordo com a Polícia Militar, o corpo foi visto dentro de um córrego na Cohab III por moradores da região e foi reconhecido por familiares dez dias após a jovem ser considerada desaparecida. Nesse período, parentes e amigos chegaram a recorrer a carro de som e ao auxílio das autoridades para tentar encontrar a jovem.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Vanessa foi asfixiada e teve o corpo mutilado, antes de ser jogada no córrego. Ao longo das investigações, a Polícia Civil levantou evidências de que, na véspera do desaparecimento, Giorgetti pegou a vítima de carro no supermercado que ela trabalhava, por volta das 19h, e a levou para casa. Segundo o inquérito, o casal brigou, e o namorado mandou a jovem embora, por volta das 21h30. Uma testemunha disse que, antes de deixar a casa, Vanessa disse que ia a uma casa de shows. Depois disso, não foi mais vista.
As investigações levaram a polícia a concluir que Vanessa foi agredida violentamente por Junio Cesar e teve órgãos retirados antes de ser encontrada no córrego. A defesa de Junio Cesar sempre alegou que ele era inocente. “Não existe prova nem testemunha ocular que ele [Junio Cesar] foi o autor desse crime”, disse o advogado Eliezer Costa.
Na época, a identificação de um morador de rua chamado Wilson, que admitiu o crime à Guarda Civil Municipal (GCM), tornou as suspeitas contra o réu mais frágeis. Consta nos autos, no entanto, que Wilson acabou se matando após a confissão.



