Ex-vice-prefeito condenado por morte da esposa em Ibitirama
Ex-vice-prefeito condenado por morte da esposa

O ex-vice-prefeito de Ibitirama, no Sul do Espírito Santo, Célio Martins Morales, foi condenado a 3 anos e 11 meses de prisão pela morte da esposa, Vanuza Spala de Almeida, de 41 anos, ocorrida em abril de 2023. A vítima foi atingida por um tiro no peito. Após a sentença, o juiz concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade, e ele recebeu alvará de soltura.

Detalhes da condenação

O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (18) no Tribunal do Júri. Célio foi condenado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), posse ilegal de arma de fogo e fraude processual. Segundo a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), o alvará de soltura foi emitido na manhã desta sexta-feira (19).

Os jurados concluíram que a morte de Vanuza foi acidental, contrariando a denúncia do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), que pedia condenação por homicídio doloso (com intenção de matar). O MPES afirmou que vai recorrer da decisão.

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“O MPES reafirma seu compromisso institucional e destaca que vai recorrer do resultado, atuando em defesa da vida, da justiça e no combate à violência de gênero”, declarou o órgão.

Defesa do réu

O advogado Elias Assad, que defende Célio, disse respeitar o direito de recurso do Ministério Público, mas confia plenamente na decisão soberana do tribunal do júri. Para ele, os jurados analisaram as provas produzidas em plenário e deram seu veredicto dentro da legalidade.

O julgamento foi transferido da Comarca de Ibitirama para a Comarca de Cachoeiro de Itapemirim para garantir a isenção e conter a comoção pública, devido à influência política e ao prestígio local do ex-vice-prefeito na cidade onde o crime ocorreu.

O crime

Vanuza foi encontrada morta com um tiro no peito na madrugada de 9 de abril de 2023, no banheiro da casa onde morava, no interior de Ibitirama. Inicialmente, a Polícia Civil investigou o caso como feminicídio.

Segundo o boletim de ocorrência, Célio contou à polícia que a mulher entrou no banheiro e atentou contra a própria vida. A vítima foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu. No dia seguinte, o ex-vice-prefeito compareceu à delegacia com um advogado, mas permaneceu em silêncio. Foi liberado por não haver mandado de prisão em aberto e por estar fora do período de flagrante.

No dia 11 de abril, a Justiça do Espírito Santo decretou a prisão preventiva de Célio, que só foi efetuada em 19 de abril, dez dias após a morte de Vanuza.

Investigação policial

O delegado Tiago Dorneles, responsável pelo caso, afirmou na época que a polícia considerava que o ex-vice-prefeito matou a esposa. O laudo pericial do médico legista não encontrou indícios de tiro à curta distância, o que afastou a tese de suicídio.

“A polícia sustenta o indiciamento do Célio pelo crime de feminicídio com pena de 12 a 30 anos. O laudo pericial constatou que não houve indicativo de tiro à curta distância. Quando isso acontece, existe uma orla de chamuscamento, uma queimadura, que não foi encontrada no ferimento da vítima, indicando que o tiro não foi efetuado à curta distância, afastando a princípio a tese de suicídio”, explicou o delegado.

Sonho de ser mãe

A família de Vanuza a descrevia como uma pessoa carinhosa e próxima. Sua única irmã, Vanessa Spala de Almeida, de 39 anos, disse que o sonho de Vanuza era ser mãe, mas o marido não compartilhava desse desejo.

“Desde nova ela sonhava em ser mãe. Estava fazendo tratamento, mas ele falou que não queria ter filhos com ela e que os únicos filhos que ele gostava e ia gostar para toda a vida são os filhos com a ex. Ela sofria com isso. O único sonho que ela tinha era de ser mãe”, contou Vanessa.

Segundo a irmã, a vítima tentou se separar algumas vezes de Célio, e a família suspeitava que Vanuza sofria agressões, embora nunca tenha denunciado.

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“Ela tentou várias vezes vir embora, ele vinha e buscava ela. Ligava para cá chorando e gritando que não estava aguentando mais. Já ligou para meu pai e pediu para mandar o caminhão-baú. Meu pai corria e ela falava que não precisava mais. Contaram que quando ela queria vir embora, ele a arrastava e a levava para dentro de casa”, relatou Vanessa.