Ex-cabo da PM condenado a 21 anos por sequestro e morte de sargento em AL
Ex-cabo da PM condenado a 21 anos por morte de sargento

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Gilmar Galvão, foi condenado a 21 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo sequestro e assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior. O crime ocorreu em 17 de dezembro de 1999, em Maceió. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (12), após o segundo dia de julgamento no Fórum do Barro Duro, na parte alta da capital alagoana.

Pena em presídio comum

O réu respondia ao processo em liberdade. Após a sentença, o juiz Geraldo Amorim determinou o cumprimento da pena em presídio comum de segurança máxima. Por ter sido expulso da corporação, Gilmar não terá direito a cumprir pena em unidade militar. "Se tivesse ido para a reserva ou reforma, iria para o presídio militar, mas como foi expulso, irá para um presídio comum. Longe dos demais presos, até porque, de qualquer forma, o senhor é um ex-policial militar", afirmou o magistrado ao anunciar a condenação.

O crime e o julgamento

O caso foi a julgamento quase 27 anos após o crime. O sargento Osmário foi sequestrado na porta de casa, na frente da filha, que tinha 4 anos na época. A filha do militar, Cinara, hoje advogada, atuou como assistente de acusação no julgamento. Em um dos momentos da sessão, ela falou diretamente aos jurados: "Eu converso com meu pai todos os dias. O réu tem uma filha da minha idade e gostaria de saber o que é ter um pai. Não me conforta estar aqui, porque meu pai não voltará". Cinara também recordou o período em que viveu sob escolta policial após o assassinato. "Eu tinha dois policiais 24 horas comigo para me proteger e eu pedia para eles brincarem comigo, porque eu não tinha meu pai", afirmou.

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Depoimentos e acusação

O assistente de acusação Thiago Cavalcante destacou que a família viveu sob medo constante. "Acompanhei os traumas dela, o medo de sair de casa, de ir ao cinema, a um shopping. Cresceu sofrendo. Ele matou a família toda", disse o advogado. Durante os debates, a promotora de Justiça Adilza de Freitas destacou a participação de Cinara na acusação e afirmou que cabia aos jurados dar uma resposta à sociedade. "Tirem o peso das costas. Se hoje estamos aqui é porque tem um culpado", disse a promotora. "O morto não tem advogado, não pode falar, chorar, apresentar a versão dos fatos."

Reconhecimento e adiamentos

A acusação destacou que a viúva do sargento, Nair, reconheceu o réu e descartou a participação de outro suspeito. Segundo a assistência de acusação, após a elaboração de um retrato falado, a viúva reconheceu Gilmar ao vê-lo entre outras pessoas. Ainda durante a réplica, a acusação afirmou que a defesa solicitou o adiamento do julgamento em 12 ocasiões ao longo dos anos — o último pedido havia sido feito em abril deste ano. Ao fim dos debates, os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público e condenaram o ex-cabo da PM.

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