A Justiça Federal na Paraíba prorrogou por 60 dias o afastamento do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, suspeito de integrar um esquema de fraudes em concursos públicos. A decisão, da 16ª Vara Federal, foi divulgada nesta segunda-feira (15).
Decisão judicial
O juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto atendeu a uma recomendação do Ministério Público Federal da Paraíba (MPF), que considerou o afastamento necessário para evitar interferências nas investigações. Em março, Gustavo Xavier foi alvo de mandado de busca e apreensão em operação da Polícia Federal.
Na mesma decisão, o agente da Polícia Civil de Alagoas, Eudson Oliveira de Matos, também teve o afastamento prorrogado por mais 60 dias. Eudson está preso na Central de Flagrantes da corporação em Alagoas. Ambos os afastamentos são cautelares.
"O afastamento do exercício das funções públicas revela-se a medida menos gravosa para fazer cessar a prática criminosa e impedir novas interferências nas investigações", diz trecho da decisão. Apesar de afastado da função de delegado-geral, Gustavo Xavier continua atuando como delegado da corporação.
Investigação em andamento
A prorrogação foi justificada pela apreensão de um celular na cela de Eudson, o que poderia indicar continuidade delitiva. Além disso, o MPF destacou que um novo concurso para agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas está em aberto, e ambos poderiam atrapalhar a lisura do certame.
O g1 tentou contato com a defesa de Gustavo Xavier e com a Polícia Civil de Alagoas, mas não obteve retorno. A defesa de Eudson Oliveira não foi localizada.
Máfia dos Concursos
Gustavo Xavier é investigado por ligação com o esquema criminoso "Máfia dos Concursos", sediado em Patos, na Paraíba. Segundo a Justiça, ele é suspeito de pressionar a família que chefiava o grupo para garantir vantagens ilícitas e favorecer familiares em concursos. A investigação baseia-se em colaboração premiada e interceptações telefônicas.
A Polícia Federal descobriu que o esquema, liderado por uma família de Patos, cobrava até R$ 500 mil por vaga. O grupo usava tecnologia para burlar sistemas de segurança, incluindo dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real durante as provas. Os pagamentos eram aceitos em dinheiro, ouro, veículos e até procedimentos odontológicos.
Os crimes ocorriam há mais de uma década, com venda de aprovações, corrupção de agentes de fiscalização e uso de mecanismos sofisticados de fraude. As fraudes atingiram concursos da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícias Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Banco do Brasil e o Concurso Nacional Unificado (CNU).



