Ex-chefe de gabinete de Lula recebeu empréstimo de investigada da PF
Empréstimo a Marcola de investigada da PF constrange Planalto

A revelação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu um empréstimo de Roberta Luchsinger, empresária investigada pela Polícia Federal por suposta participação no esquema de fraudes do INSS, constrange o Palácio do Planalto. O caso expõe a proximidade de Marcola com o presidente e levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Quem é Marcola e sua relação com Lula

Marcola, de 40 anos, é um dos assessores mais jovens e leais de Lula. Sem celular, o presidente dependia de Marcola para receber recados, mensagens e avisos, sendo ele o principal canal de comunicação entre Lula e o mundo exterior. Marcola atuou como chefe de gabinete desde o início do governo até duas semanas atrás, quando deixou o cargo para integrar a equipe de coordenação de campanha, ao lado de Gilberto Carvalho.

Sua trajetória ao lado do petista começou em 2015, no Instituto Lula, onde cuidava da agenda do presidente. Participou da coordenação executiva da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e, durante a prisão de Lula em Curitiba, entre 2018 e 2019, mudou-se para a cidade para manter contato próximo, realizando visitas frequentes e trocando cartas diárias com o ex-presidente. Na pandemia, quando Lula vivia com a primeira-dama Janja em São Bernardo do Campo, Marcola também se mudou para o município paulista, auxiliando o petista em ações políticas por videoconferências.

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O empréstimo e a ligação com investigação do INSS

O site Poder360 informou que Marcola recebeu pagamentos de Roberta Luchsinger, sem especificar valores. Roberta é apontada como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que também é alvo de investigações da PF. Ela atuou em parceria com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no esquema de fraudes previdenciárias.

Em nota publicada pela coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, Marcola confirmou o recebimento do empréstimo e negou qualquer ilegalidade. “Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou na nota.

Reações e impacto político

A oposição já articula uma investigação sobre o caso. O Partido Liberal (PL) pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se o Planalto foi informado sobre a investigação envolvendo Marcola antes de sua saída do governo. Parlamentares da base aliada também demonstram preocupação com o desgaste gerado pela proximidade de um assessor direto com uma pessoa investigada.

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa apontam que o episódio pode reforçar a narrativa de interferência política nas investigações, ainda que não haja confirmação de irregularidades no empréstimo. O Palácio do Planalto, por sua vez, evita comentar o assunto, mas nos bastidores avalia-se que a situação pode gerar constrangimento adicional em um momento de queda de popularidade do governo.

Perfil discreto, mas influente

Sociólogo formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Marcola é filiado ao PT desde os 23 anos. Trabalhou na prefeitura de São Carlos e foi assessor dos deputados estaduais Simão Pedro e Edinho Silva, atual presidente do PT. Avesso a holofotes, não costuma aparecer em eventos presidenciais, mas é descrito como um dos homens mais leais do entorno presidencial.

Durante o terceiro mandato de Lula, Marcola controlava o acesso ao gabinete presidencial, acompanhava conversas privadas e levava informações ao presidente. Era também o principal homem de recados de Lula junto a ministros e aliados, função que lhe dava enorme poder político nos bastidores.

A saída de Marcola da chefia de gabinete, ocorrida em 21 de julho, foi interpretada por alguns como uma tentativa de blindar o governo de possíveis desgastes, mas a revelação do empréstimo pode ter efeito contrário, mantendo o assunto em evidência.

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Próximos passos

O caso deve ser analisado pela Comissão de Ética Pública da Presidência, que pode abrir procedimento para avaliar se houve conflito de interesses. Além disso, a PF pode ser instada a esclarecer se o empréstimo tem relação com as investigações em curso. Enquanto isso, o Planalto tenta minimizar o impacto, mas a oposição promete cobrar explicações detalhadas.

A situação também reacende o debate sobre a influência de familiares e aliados próximos no governo Lula, tema que já havia gerado controvérsias em outras ocasiões. A expectativa é de que novos desdobramentos surjam nos próximos dias, com possíveis depoimentos e documentos que possam esclarecer a natureza do empréstimo.