O Corinthians sofreu mais uma punição financeira e já acumula R$ 23 milhões em dívidas decorrentes de transfer bans. Agora, o clube enfrenta uma ação trabalhista movida pelo jovem Reginaldo Borim, de 19 anos, que pede indenizações de R$ 10,5 milhões pela desistência do clube em contratá-lo, em meio a uma polêmica pelo seu passado como goleiro.
Contrato assinado e desistência repentina
Em agosto de 2024, na gestão de Augusto Melo, o Corinthians assinou contrato com Reginaldo, que havia atuado apenas 33 minutos naquele ano e, em 2023, jogou como goleiro. O jovem foi contratado para ser lateral-esquerdo no time sub-18. No entanto, o clube desistiu da contratação devido à repercussão negativa do caso, gerada por informações incorretas no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, que o registravam como goleiro.
Os advogados de Reginaldo sustentam que o desligamento ocorreu "sem notificação formal, processo interno, pagamento de qualquer verba rescisória e contraditório". O jovem deixou o Corinthians "sem contrato anotado, salários recebidos e nenhum documento rescisório".
Impacto na saúde do atleta
Na ação, os advogados relatam que, em razão da desistência, Reginaldo "desenvolveu quadro depressivo diretamente relacionado ao episódio, está em tratamento médico e psicológico e teve sua capacidade de retomar a carreira profissional comprometida". O jovem se mudou de Jaú, interior de São Paulo, para o alojamento do Parque São Jorge, assinou contrato e comemorou nas redes sociais, mas "assistiu ao desmoronamento de tudo isso, não por falha sua, não por decisão técnica fundamentada, mas pela pressão de uma torcida alimentada por uma informação errada inserida no BID por terceiro".
Declarações do ex-diretor da base
Os advogados anexaram ao processo declarações do ex-diretor da base Claudinei Alves, que admitiu estar ciente do possível dano ao jovem. Claudinei disse ao ge: "Podemos estar acabando com a carreira de um garoto, tenho esse sentimento, mas estou mandando embora. Paciência." Segundo a defesa de Reginaldo, "o próprio dirigente responsável pela decisão admitiu consciência antecipada do dano; admitiu que a causa real da dispensa foi a pressão interna do Conselho do clube; e revelou indiferença deliberada ao resultado destruidor de sua própria decisão. Essa configuração caracteriza, na doutrina civilista, o dolo eventual: o agente prevê o resultado danoso, assume o risco e age assim mesmo. No direito do trabalho, afasta qualquer equiparação a exercício regular do poder rescisório e situa a conduta inequivocamente no campo do abuso de direito."
Valores pedidos na ação
No processo, iniciado em junho de 2025 e ainda sem decisão judicial, Reginaldo pede: R$ 10 milhões equivalentes à multa rescisória contratual; R$ 500 mil por danos morais; R$ 70 mil pela rescisão antecipada; e R$ 16 mil de quatro meses de salários não pagos. O jovem já havia processado o XV de Jaú, mas perdeu a ação.
Nota da defesa de Reginaldo
Em nota, a defesa de Reginaldo afirmou: "O atleta Reginaldo Borim foi contratado pelo Corinthians em 2024, quando tinha 17 anos, e teve o contrato rompido sem nenhuma justificativa legal. Nesse sentido, a ação judicial visa regularizar a situação decorrente do rompimento abrupto e injusto do contrato. O atleta não recebeu nenhum pagamento e ainda passou por forte constrangimento em razão da repercussão negativa do seu desligamento. A nossa expectativa é que o Corinthians compareça na audiência designada para o dia 07/08 e a situação já seja resolvida por meio de um acordo. Estamos certos que o acordo é o melhor caminho para ambas as partes."
Procurado, o Corinthians respondeu que não se manifesta sobre processos judiciais em andamento. O ex-diretor Claudinei Alves também não se manifestou até a publicação desta matéria.



