Os oito pré-candidatos ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul voltaram a se enfrentar em debate nesta quarta-feira (22), durante o evento Tá Na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul), em Porto Alegre. Participaram Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d'Ávila (PSOL), Marcel Van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL).
Estrutura do debate e temas abordados
O debate foi dividido em cinco blocos: um inicial para apresentações, um final para considerações finais, dois blocos com perguntas específicas sorteadas para cada candidato, e um bloco com pergunta única para todos. A pergunta comum abordou segurança jurídica, equilíbrio entre os Poderes e o Supremo Tribunal Federal (STF), gerando divergências sobre a possibilidade de impeachment de ministros da Corte, repetindo o cenário do último debate.
Outros temas discutidos incluíram redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1, segurança pública e combate ao crime organizado, criação de um fundo constitucional para a Região Sul, competitividade econômica e a dívida do Rio Grande do Sul com a União.
Divergência central: fim da escala 6x1
Um dos principais pontos de discórdia foi a proposta de fim da escala 6x1, que aguarda aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para começar a tramitar. O texto, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais em até 14 meses, foi aprovado pela Câmara há quase dois meses e não avançou no Senado.
Frederico Antunes (PSD) classificou o debate como inoportuno: "Estamos debatendo na hora errada. Quem diz que é um aproveitamento eleitoreiro tem toda razão. Concordo que pode ser rediscutida a escala de trabalho, mas tem que ser feito ao longo de um tempo." Germano Rigotto (MDB) também defendeu o debate pós-eleição, destacando impactos em microempresas e finanças municipais.
Manuela d'Ávila (PSOL) manifestou apoio irrestrito: "Sou absolutamente favorável ao fim da escala 6x1. As trabalhadoras brasileiras, sobretudo, merecem mais um dia de descanso. Os dados mostram que melhora a economia. Esse dia é usado para circular na cidade, para consumir. Cresce até 4% segundo alguns estudos." Ela citou que mais de 70% dos gaúchos apoiam a medida.
Marcel Van Hattem (Novo) propôs horário flexível: "Sou a favor do horário flexível. Ou seja, que o trabalhador possa decidir quantas horas, quantos dias vai trabalhar. Hoje, o trabalhador está custando o dobro para o seu patrão e, no fim das contas, ele não vê esse dinheiro que o patrão paga em impostos."
Milton Cardoso (PSDB) foi contrário: "A minha opinião é que é um absurdo o que estão fazendo. Tem que permanecer a jornada de trabalho 6x1 e a liberdade. Eu tenho três filhos formados no Canadá. Liberdade. Você trabalha quantas horas quiser."
Paulo Pimenta (PT) defendeu a aprovação: "Totalmente favorável. Esse é um debate que o mundo já avançou. Quem cumpre a escala 6x1 são pessoas que ganham menos, trabalham mais, e majoritariamente mulheres, que são condenadas a ter um dia de convívio familiar."
Renato Jaguarão (Cidadania) ponderou: "O trabalhador tem direito ao descanso. Agora, o governo cria a lei e o empresário que resolva os problemas. O governo tem que fazer a sua parte: diminuir os encargos trabalhistas."
O g1 procurou Ubiratan Sanderson (PL), mas não obteve retorno até a publicação.



