CNJ afasta juiz suspeito de favorecer PCC no Piauí
CNJ afasta juiz suspeito de favorecer PCC

A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento temporário do juiz Valdemir Ferreira Santos, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI), após indícios de que ele teria favorecido investigados da Operação Carbono Oculto 86, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis.

Decisão da Corregedoria

De acordo com a Corregedoria, o juiz teria tomado decisões fora de sua área de atuação e interferido em processos para beneficiar investigados. Entre as suspeitas estão o arquivamento de uma investigação mesmo após denúncia do Ministério Público, a revogação de medidas impostas pela Justiça e a retirada de provas de um processo que tramitava em outra vara.

Além do afastamento, a Corregedoria instaurou uma inspeção no gabinete do magistrado e determinou o bloqueio do acesso dele aos sistemas eletrônicos e às dependências do TJPI.

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Operação Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis. Em novembro de 2025, uma das fases da investigação levou ao fechamento de 49 postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins. Segundo a Polícia Civil, as empresas investigadas movimentaram cerca de R$ 5 bilhões em operações consideradas suspeitas.

As investigações apontam indícios de sonegação de impostos, venda de combustível adulterado e uso de empresas registradas em nome de terceiros para esconder a origem do dinheiro. A operação é considerada uma das maiores do país no combate à infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis.

Posição do TJPI

Procurado pelo g1, o Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) informou, em nota, que recebeu comunicação oficial sobre a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que cumprirá integralmente a determinação de afastamento cautelar do magistrado. A nota ressalta o compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições, e afirma que os fatos serão apurados dentro do devido processo legal.

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