Choro no tribunal: áudio do 911 mostra pai ao descobrir filhos mortos
Choro no tribunal: áudio do 911 mostra pai ao descobrir filhos mortos

Lindsay Clancy chorou no tribunal nesta quarta-feira (29) enquanto os jurados ouviam a gravação da ligação ao serviço de emergência 911 feita pelo então marido, Patrick Clancy, após ele encontrar os três filhos do casal mortos na casa da família, em janeiro de 2023. O julgamento, que ocorre no Tribunal Superior de Plymouth, Massachusetts, gira em torno do estado mental de Lindsay no momento do crime.

Gravação de sete minutos revela descoberta trágica

Na gravação, com cerca de sete minutos, Patrick conversa primeiro com a esposa, que estava gravemente ferida e sangrando no quintal após pular da janela do segundo andar. "Olhe para mim. Diga meu nome", afirma ele. Em seguida, Patrick informa à atendente do 911 que vai procurar as crianças. Pouco depois, começa a gritar e a chorar ao encontrá-las no porão. A atendente, sem entender, pergunta repetidas vezes o que está ocorrendo. "Ela matou as crianças!", responde ele aos gritos.

A ligação foi reproduzida durante o depoimento de Patrick, que já havia afirmado em entrevistas que perdoa a ex-esposa, por acreditar que ela estava doente e não agiu por maldade. Os pais de Lindsay, que acompanhavam o julgamento na primeira fila, também choraram durante a reprodução.

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Depoimento do pai: a última imagem do filho

Em depoimento, Patrick Clancy contou que a última imagem que guarda do filho Dawson, de 3 anos, é a do menino sentado no sofá, comendo nuggets de frango e vagem. Segundo a Promotoria, Lindsay pediu que o marido saísse rapidamente para buscar comida e comprar um medicamento para a filha Cora, de 5 anos. Os promotores afirmam que esse pedido foi uma forma de tirá-lo de casa para cometer o crime.

Os jurados assistiram a imagens de câmeras de segurança da farmácia, que mostram Patrick falando ao telefone com a esposa para tirar uma dúvida sobre o remédio. "Ela estava bem quieta. Parecia ocupada", disse Patrick. "Lembro de desligar pensando que ela provavelmente estava dando banho nas crianças ou fazendo algo parecido." Ao voltar para casa, ele estranhou o silêncio. Chamou pela família, mas ninguém respondeu. Depois de encontrar sangue no quarto do casal e uma janela aberta, ele viu Lindsay ferida no quintal. Mesmo consciente, ela disse que havia tentado tirar a própria vida e informou que as crianças estavam no porão, sem dizer que estavam mortas. Ele correu para o porão e encontrou os três filhos estrangulados com faixas elásticas de exercício físico, sem perceber que ainda permanecia na linha com o 911.

Defesa alega psicose pós-parto; Promotoria pede responsabilização

Três anos após as mortes, o julgamento se concentra no estado mental de Lindsay Clancy. A defesa tenta convencer os jurados de que ela sofria de psicose pós-parto, um transtorno psiquiátrico raro associado ao estresse, à privação de sono e às alterações hormonais após o parto. Já a Promotoria afirma que Clancy, ex-enfermeira obstétrica, matou intencionalmente os filhos Dawson, Cora e Callan, de 8 meses, e deve ser responsabilizada criminalmente.

Na abertura do julgamento, na segunda-feira (27), o advogado de defesa Kevin Reddington afirmou que Lindsay tinha transtorno bipolar e que antidepressivos prescritos após o nascimento do terceiro filho agravaram o quadro. Segundo ele, no dia do crime ela ouviu uma voz dizendo: "Esta é sua última chance. Mate as crianças para que você possa se matar". Se condenada por homicídio, Lindsay poderá receber prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Caso os jurados concluam que ela não tinha responsabilidade criminal por causa da condição mental, ela será internada em uma instituição psiquiátrica estadual.

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Saúde mental deteriorada e ações judiciais contra profissionais

Na segunda-feira, Patrick já havia relatado que a saúde mental da esposa se deteriorou nos meses anteriores ao crime. Segundo ele, Lindsay contou que tinha pensamentos intrusivos sobre machucar os filhos e sobre suicídio. Ela procurou especialistas em transtornos de humor pós-parto, recebeu diversos medicamentos psiquiátricos e chegou a ser internada em um hospital psiquiátrico. As crianças foram mortas 19 dias após ela receber alta. Patrick afirmou que nenhum médico ou profissional de saúde jamais o orientou a não deixar Lindsay sozinha com os filhos. "Eu nem sabia o que era psicose até que tudo isso aconteceu", afirmou.

Neste ano, Lindsay e o ex-marido moveram ações judiciais acusando os profissionais de saúde que a atenderam de não diagnosticar, tratar e acompanhar adequadamente sua condição. Durante o interrogatório da defesa, o advogado Kevin Reddington tentou demonstrar que Lindsay seguia corretamente o tratamento e registrava cuidadosamente a piora do estado mental. Ele apresentou anotações diárias feitas por ela sobre os medicamentos e o humor. Em vários registros, Lindsay escreveu a expressão "pensamentos horríveis". Ela também mantinha um livro e um folheto sobre ansiedade pós-parto, além de uma tabela para acompanhar a evolução do estado emocional.

O advogado destacou que muitas das consultas realizadas por Lindsay a partir do segundo semestre de 2022 foram feitas com enfermeiros especializados e por videoconferência, com duração de apenas 20 minutos. Os dois ainda revisaram a sequência de medicamentos prescritos, incluindo o antipsicótico Seroquel, cuja dose foi aumentada pelos médicos em dezembro de 2022. "A ideia era que isso ajudasse no sono, mas ela não melhorou. Ela piorou", afirmou Patrick.