Empreiteiras que construíram o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, ainda lutam na Justiça para receber pela obra. Inaugurado em uma cerimônia improvisada em 2014 e nunca utilizado efetivamente, o complexo se tornou símbolo dos chamados "elefantes brancos" na capital federal. O governo do DF anunciou em junho que começará a ocupar o espaço, rebatizado de CAD, mas a batalha judicial segue no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem data para julgamento.
Histórico do Centrad
Com 16 prédios e 182 mil metros quadrados, o Centrad foi construído para sediar o governo do DF, prometendo redução de custos com aluguéis e desafogamento do trânsito no centro de Brasília. Inaugurado no fim de 2014 por Agnelo Queiroz em seu último dia de mandato, o complexo não tinha móveis, internet e sequer estava concluído. Nunca foi ocupado e, em 2026, apresenta infiltrações, rachaduras, elevadores parados e marcas de tiros.
Disputa judicial
O consórcio formado por Odebrecht e Via Engenharia venceu a parceria público-privada em 2009 e receberia R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos, além de mais de R$ 20 milhões mensais por manutenção e segurança. Em 2022, auditoria interna do governo do DF anulou o contrato, apontando conluio entre as empresas, projetos inadequados e inviabilidade econômica. Delatores da Lava Jato confirmaram cartel. Nenhum pagamento foi feito.
O consórcio acionou a Justiça pedindo indenização. Em primeira instância, o pedido foi rejeitado, mas o Tribunal de Justiça do DF reverteu a decisão, permitindo discutir o encerramento do contrato. As empresas alegam prejuízos e pedem reparação superior a R$ 1 bilhão. O governo do DF defende que o contrato já está extinto. O caso subiu ao STJ, relatoria do ministro Paulo Sérgio Domingues, que analisa se o processo volta à primeira instância ou é arquivado.
Ocupação do complexo
Apesar da briga judicial, a ocupação do Centrad não está impedida, pois o terreno é público e os laudos de habite-se e impacto de trânsito estão liberados. Em junho, a governadora Celina Leão (PP) deu prazo de três meses para ocupar inicialmente 31% do espaço, com mudança do gabinete da governadora e das secretarias de Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente, DF Legal, Mobilidade e Casa Civil.
Em nota, a Secretaria de Governo afirma que as empresas têm direito de discutir indenização, mas que a propriedade do imóvel é pública. O governo realiza reformas no bloco 'L', com serviços de rede elétrica, pintura, alarme, limpeza, ar condicionado e elevadores, além de impermeabilização e paisagismo. A previsão é começar a ocupação ainda neste mês.



