Os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo registraram nesta sexta-feira (19) o menor nível para a data dos últimos dez anos, segundo dados do Portal dos Mananciais da Sabesp. O Sistema Integrado Metropolitano, composto por sete represas (Alto Tietê, Cantareira, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço), opera com 50,8% da capacidade. Há um ano, o índice era de 53,4%; em 2023, na mesma data, os reservatórios armazenavam 81,9% do volume útil.
Cenário preocupante
As chuvas do último verão não foram suficientes para recompor os mananciais, e a situação preocupa especialistas às vésperas do inverno, estação historicamente mais seca no Sudeste. O Sistema Cantareira, um dos principais da região, está com menos de 40% da capacidade. A represa Paiva Castro, localizada entre Mairiporã e Franco da Rocha, integra esse sistema. Nos últimos 90 dias, os reservatórios perderam volume em 73 deles, mesmo com chuvas esporádicas recentes.
Nível dos reservatórios em 19 de junho (anos selecionados)
- 2016: 54,8%
- 2017: 68,8%
- 2018: 54,3%
- 2019: 76,9%
- 2020: 65,3%
- 2021: 53,4%
- 2022: 56,3%
- 2023: 81,9%
- 2024: 69,0%
- 2025: 53,4%
- 2026: 50,8%
Mudanças no monitoramento
O governo de São Paulo anunciou alterações nos critérios de monitoramento dos reservatórios e nas medidas de economia de água. Pelo novo modelo, além do volume do Sistema Integrado Metropolitano, o Sistema Cantareira terá peso maior na avaliação. Como o Cantareira responde por parcela significativa do consumo, níveis mais baixos poderão levar a medidas mais restritivas, mesmo que a situação geral seja menos preocupante.
Entre as medidas está a ampliação da redução da pressão da água na rede de distribuição durante a madrugada, para diminuir perdas e preservar estoques. Segundo o governo, as mudanças buscam aumentar a previsibilidade diante de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas e fenômenos ligados às mudanças climáticas. A gestão afirma que o modelo permitirá respostas mais rápidas para evitar quedas acentuadas nos níveis das represas.
Especialistas apontam que a redução da pressão pode afetar principalmente imóveis sem caixa d'água e bairros em regiões mais altas, que ficam mais sujeitos a interrupções temporárias no abastecimento.



