Justiça Federal obriga Natal a mensurar areia de Ponta Negra mensalmente
Justiça obriga Natal a monitorar areia de Ponta Negra mensalmente

A Justiça Federal determinou que a Prefeitura de Natal apresente mensalmente os dados de acompanhamento do volume de areia da engorda da Praia de Ponta Negra. A decisão é do juiz federal Magnus Augusto Costa Delgado, da 1ª Vara Federal do Rio Grande do Norte, assinada na quarta-feira (17). O texto atende parcialmente a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que aponta problemas no sistema de drenagem da região e riscos à integridade da obra.

Ao analisar o pedido do MPF, o magistrado afirmou que os laudos técnicos apresentados pelo órgão indicam perda de sedimentos entre 39% e 51% em apenas um ano. "Causa preocupação os laudos técnicos apresentados pelo MPF indicarem uma perda de sedimentos na ordem de 39% a 51% em apenas um ano", escreveu o juiz. Segundo a decisão, manter a situação atual pode comprometer a estabilidade geológica do Morro do Careca. "A manutenção do status quo implica permitir que a erosão hídrica reversa comprometa a estabilidade geológica do morro, o que configuraria dano ambiental de impossível reparação, ferindo o princípio da precaução", afirmou.

A reportagem do g1 questionou a Prefeitura de Natal, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), sobre a manifestação da Justiça, mas não houve resposta até a última atualização desta matéria.

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Perda de sedimentos e riscos à obra

O g1 mostrou no início deste mês que um estudo da fundação responsável pelo monitoramento ambiental da obra apontou uma redução de 39,27% no volume de sedimentos medido acima da linha d'água na área analisada da engorda entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou risco de a engorda perder a funcionalidade antes dos sete anos de vida útil previstos para a obra.

Decisão cita riscos sanitários

A decisão menciona problemas relacionados ao sistema de drenagem. Segundo o magistrado, a formação de lagoas "decorrente da obstrução de galerias e da ineficiência dos dissipadores" cria condições favoráveis à proliferação de doenças e pode se agravar pela presença de ligações clandestinas de esgoto. "A omissão na manutenção do sistema expõe banhistas e moradores a riscos sanitários imediatos, comprometendo a balneabilidade da principal praia turística da capital potiguar", completa o magistrado.

MPF pediu obras e interdições

Na ação, o MPF pediu que a prefeitura fosse obrigada a fazer obras emergenciais no sistema de drenagem, promover limpeza semanal dos dispositivos, isolar áreas de risco, interditar a base do Morro do Careca e suspender a emissão de novas licenças urbanísticas na região. O juiz, porém, entendeu que essas medidas exigem produção de provas técnicas e poderiam provocar efeitos contrários aos pretendidos. "Tais medidas possuem caráter drástico e demandam dilação probatória técnica (perícia judicial), sob pena de configurar ingerência indevida na esfera administrativa e risco de dano reverso", afirmou.

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