Eleitorado idoso de Uberlândia dobra em 30 anos e chega a 23,4%
Eleitorado idoso de Uberlândia dobra em 30 anos

Nas eleições de 2026, quase um em cada quatro eleitores de Uberlândia tem mais de 60 anos, a maior taxa de idosos aptos a votar já registrada na cidade. Esse percentual mais que dobrou nas últimas três décadas: em 1994, os idosos representavam apenas 10% do eleitorado; agora, são 23,4%, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Crescimento expressivo do eleitorado idoso

Segundo o TSE, há 125.877 eleitores com mais de 60 anos registrados em Uberlândia para o pleito presidencial, número cinco vezes maior que os 25.006 de 1994. Em relação à população total, com base nas estimativas do IBGE, o avanço também é notável: em 1994, os idosos representavam 6,3% dos moradores; em 2026, alcançam 16,2%.

O cenário acompanha o envelhecimento da população brasileira e impõe um desafio a candidatos e partidos: dialogar com um eleitorado cada vez mais maduro e numeroso. Com quase um quarto do eleitorado acima de 60 anos, os idosos formam um contingente capaz de influenciar decisivamente as disputas no município.

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Perfil dos eleitores idosos

Entre os idosos eleitores, a maior parte tem Ensino Fundamental incompleto: 44.219 pessoas, ou 35,1% do grupo. Já os analfabetos somam 3.166, representando 2,5% do eleitorado idoso. Aqueles com Ensino Superior completo ou incompleto chegam a 24.618, ou 19,5%.

Uberlândia também registra 84 eleitores com 100 anos ou mais, público com voto facultativo, que representa 0,15% dos 54.963 idosos dispensados da obrigação de votar por idade. O voto é facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.

Impacto político e pautas prioritárias

O historiador político Fernando Perlatto, diretor do Instituto de Ciências Humanas da UFJF, destaca: "O cenário de envelhecimento da população é evidente. E as pessoas não apenas estão envelhecendo, mas continuam com uma vida ativa. Inclusive uma vida cívica mais ativa."

Para a socióloga e cientista política Alecilda Oliveira, eleitores mais velhos tendem a ter maior fidelidade política e menor disposição a mudanças bruscas, tornando-os um público estratégico. "Eles tendem a ter mais fidelidade, seja a determinados candidatos ou posições políticas, e uma rejeição maior a mudanças bruscas. Isso cria uma tendência no tipo de voto e faz com que as pautas voltadas para essa população ganhem importância", afirmou.

O professor Moacir de Freitas Júnior, da UFU, ressalta que propostas para essa faixa etária são essenciais: "Ter propostas que conversem diretamente com esta faixa da população passa a ser importante para os candidatos, porque a população mais madura e mais escolarizada tende a ser mais fiscalizadora e a exigir políticas voltadas para seus interesses."

Saúde pública, acesso a medicamentos, previdência social, mobilidade urbana e segurança pública estão entre as maiores preocupações desse eleitorado. "Quanto mais essa população participa, mais centrais se tornam pautas relacionadas à saúde, à previdência, ao acesso a medicamentos, consultas médicas e segurança pública", explicou Alecilda Oliveira.

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