No feriado estadual de 9 de julho, data que marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, a cidade de Cruzeiro, no interior de São Paulo, relembra o papel central que teve no conflito. Considerada a capital da Revolução Constitucionalista, a cidade foi palco de diversos confrontos que resultaram em centenas de mortes.
Ferrovia foi essencial para a logística da revolução
Apesar de possuir mais de 300 km² de área territorial, foi nos trilhos da ferrovia que corta o município que a batalha se intensificou. Segundo o professor e historiador especialista na Revolução de 32, Carlos Felipe do Nascimento, a linha férrea foi importante para a distribuição de equipamentos utilizados pelos combatentes à época. “A linha férrea foi muito importante porque em Cruzeiro, por exemplo, a estação foi o centro de recrutamento, distribuição de equipamentos”, contou.
“As pessoas também iam diretamente ou para o túnel ou para Queluz, porque o trem blindado chegou a passar aqui em Cruzeiro, então as pessoas tinham mais pela novidade em si, de estar vivendo aquele momento na década de 30 também, e achar que tinha alguma esperança de trazer de volta a Constituição para o Brasil”, relembrou o historiador.
Túnel da Mantiqueira: palco das batalhas mais sangrentas
O Túnel da Mantiqueira foi o local onde ocorreram muitas das cerca de 250 mortes em Cruzeiro durante a Revolução. Ele divide os estados de São Paulo e Minas Gerais. “Cruzeiro é a capital da Revolução de 32, principalmente porque as batalhas mais sangrentas aconteceram aqui. Como o túnel era uma passagem entre os dois estados, São Paulo e Minas Gerais, dá a impressão que foi uma guerra entre São Paulo e Minas, sendo que foi uma guerra entre o Brasil e o estado de São Paulo”, explicou Nascimento.
Números oficiais e contexto histórico
Oficialmente, morreram 943 pessoas na Revolução Constitucionalista de 1932. Os conflitos começaram em 9 de julho - feriado estadual em São Paulo - e foram encerrados em 2 de outubro, quando as tropas constitucionalistas se renderam. A Revolução Constitucionalista foi um movimento armado liderado pelo estado de São Paulo, que defendia uma nova Constituição para o Brasil e era contra o autoritarismo do Governo Provisório de Getúlio Vargas.
Importância estratégica da ferrovia no Vale do Paraíba
Além de Cruzeiro, outros trechos da Estrada de Ferro Central do Brasil que cortavam o Vale do Paraíba também tiveram importância estratégica durante a Revolução Constitucionalista de 1932. A ferrovia era utilizada para o transporte de tropas, armamentos, munições e suprimentos ao longo do conflito.



