Um ano após a implementação da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras, uma pesquisa do Ministério da Educação (MEC) revela que 92% das instituições de ensino já adotaram as novas regras. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira, aponta melhorias significativas na concentração, socialização e redução de conflitos entre os alunos.
Pesquisa do MEC confirma adesão massiva
De acordo com o MEC, a pesquisa foi realizada entre março e maio de 2026, ouvindo mais de 10 mil escolas públicas e privadas em todo o país. Do total, 92% afirmaram ter implementado integralmente a lei, enquanto 6% estão em processo de adaptação e apenas 2% não adotaram as medidas. “A adesão foi surpreendente e mostra que a sociedade já estava madura para essa mudança”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana, em coletiva de imprensa.
Impactos positivos no ambiente escolar
Entre os principais resultados, 78% das escolas relataram melhora na concentração dos alunos durante as aulas. Professores ouvidos na pesquisa destacaram que os estudantes estão mais atentos e participativos. “Antes, era comum ver alunos mexendo no celular escondido. Agora, o engajamento aumentou visivelmente”, disse a professora Ana Paula Silva, da rede municipal de São Paulo.
A socialização também teve avanços: 65% das instituições notaram aumento na interação presencial entre os estudantes. “Os intervalos agora são de conversa e brincadeiras, não de telas”, comentou o diretor Carlos Alberto, de uma escola em Belo Horizonte. Além disso, 54% das escolas reportaram redução de conflitos relacionados ao uso de celulares, como cyberbullying e gravações não autorizadas.
Desafios operacionais e adaptação
Apesar do sucesso, a pesquisa apontou desafios. Cerca de 30% das escolas mencionaram falta de infraestrutura para armazenar os aparelhos de forma segura. Muitas instituições improvisam com caixas ou sacolas, o que gera preocupação com extravios. “Precisamos de armários com cadeados ou sistemas mais organizados”, sugeriu a coordenadora pedagógica Juliana Mendes, do Rio de Janeiro.
Outro ponto é a resistência de alguns pais, que alegam necessidade de contato com os filhos. A lei permite o uso em atividades pedagógicas autorizadas, mas fora disso os aparelhos devem ficar guardados. “Estamos fazendo um trabalho de conscientização com as famílias”, explicou a secretária de Educação de Recife, Maria do Carmo.
Equilíbrio entre tecnologia e aprendizado
A Lei nº 15.100/2025 não proíbe totalmente a tecnologia, mas busca equilibrar seu uso. “A ideia não é demonizar o celular, mas garantir que ele não atrapalhe o aprendizado”, destacou o relatório do MEC. Escolas que integram dispositivos em projetos pedagógicos, como pesquisas e produção de conteúdo, tiveram maior aceitação.
Para o psicólogo educacional Luiz Fernando, a mudança é positiva, mas requer acompanhamento. “É preciso avaliar se a proibição não gera ansiedade em alguns alunos. O ideal é educar para o uso consciente.”
Próximos passos
O MEC planeja novas pesquisas para monitorar os efeitos a longo prazo. “Queremos ver como isso impacta o desempenho escolar e a saúde mental dos alunos”, afirmou o ministro. Enquanto isso, a maioria das escolas comemora os primeiros resultados. “Foi a melhor decisão que tomamos”, concluiu o diretor Carlos Alberto.



