Estudantes da Ufac aprovam greve por tempo indeterminado por crise no transporte
Ufac aprova greve estudantil por crise no transporte

Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) aprovaram uma greve estudantil por tempo indeterminado em assembleia na noite de quinta-feira (9), organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). A paralisação é uma resposta à crise no transporte coletivo de Rio Branco, que sofreu redução drástica da frota de ônibus em circulação, prejudicando o acesso dos alunos às aulas.

Decisão da assembleia e reivindicações

O presidente do DCE, Rubisclei de Abreu, afirmou ao g1 que a greve não tem prazo para terminar e será mantida até que as reivindicações relacionadas ao transporte público sejam atendidas. "Ninguém começa uma greve esperando que dure eternamente. O que queremos é que nossas reivindicações sejam atendidas. A decisão de iniciar a greve na Ufac ocorre justamente para que os estudantes não continuem sendo prejudicados pelo caos no transporte público", declarou.

Após a assembleia, um calendário de mobilizações foi definido. Os estudantes já iniciaram a confecção de materiais para os atos, e o cronograma das manifestações deve ser divulgado pelo DCE.

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Suspensão anterior de aulas

A greve ocorre pouco mais de uma semana após a própria Ufac suspender as atividades presenciais devido aos impactos da redução da oferta de ônibus na capital. Inicialmente, as aulas dos cursos de graduação foram interrompidas nos dias 1º e 2 de julho, mas a universidade manteve a suspensão até o sábado (4), alegando dificuldades de deslocamento da comunidade acadêmica. A Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) informou que a medida foi adotada para evitar prejuízos a estudantes, professores e técnicos que dependem do transporte coletivo para acessar o campus.

Crise no transporte coletivo

Os problemas enfrentados pelos estudantes fazem parte da crise no sistema de transporte coletivo de Rio Branco, que se intensificou desde o fim de junho. Em 30 de junho, a Justiça do Acre cumpriu uma carta precatória expedida pela Justiça do Distrito Federal e apreendeu parte da frota da empresa Ricco Transportes e Turismo. A decisão judicial determinou a retomada de posse de 50 ônibus devido a uma dívida de quase R$ 3 milhões da empresa. Para evitar um colapso ainda maior, a Vara de Cartas Precatórias autorizou inicialmente a apreensão de 38 veículos, já que a empresa também possui débitos trabalhistas e os funcionários estavam em aviso prévio.

Com a retirada dos ônibus de circulação, o transporte coletivo passou a operar com frota reduzida. Passageiros enfrentaram longas filas, coletivos lotados e aumento no tempo de espera.

Medidas emergenciais da prefeitura

Para tentar normalizar o serviço, a Prefeitura de Rio Branco assinou um contrato emergencial de um ano com a JTP Transportes, empresa que assumirá gradualmente a operação do transporte coletivo. A transição deve ocorrer em até 90 dias, período em que a Ricco continuará operando parte das linhas para evitar a interrupção do serviço. De acordo com a prefeitura, a nova operação contará com uma frota de 120 ônibus, sendo 60 veículos zero quilômetro previstos para chegar até o início de setembro. Além disso, a autorização para o funcionamento dos táxis-lotação continuará válida apenas nas regiões onde ainda não houver cobertura do transporte coletivo durante a transição.

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