Torneio internacional de robótica reúne 185 estudantes em João Pessoa
Torneio de robótica reúne 185 estudantes em João Pessoa

O Centro Escolar Municipal de Atividades Pedagógicas Integradoras (CEMAPI), no bairro de Mangabeira, Zona Sul de João Pessoa, recebe neste domingo (2) a etapa regional da FIRST LEGO League (FLL) Explore. A competição, destinada a crianças de 6 a 10 anos, reúne 185 estudantes da rede municipal de ensino, distribuídos em 43 equipes, e a expectativa é de cerca de 700 pessoas entre participantes, familiares e visitantes.

Etapa regional da FIRST LEGO League Explore

Na categoria Explore, cada equipe é composta por até seis crianças. A temporada de preparação começa antes do torneio: os alunos pesquisam o tema, identificam um problema real, criam uma solução e constroem um modelo em Lego com programação para representar a ideia. Neste ano, o desafio “Unearthed” (Desenterrado) propõe uma abordagem que reúne arqueologia, tecnologia e inovação, com conceitos de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática (STEAM).

Na etapa final, cada equipe dispõe de cinco minutos para apresentar o projeto aos avaliadores e explicar o processo de criação. Durante a preparação, as crianças passam por diferentes funções, como pesquisadores, montadores e programadores, participando de todas as etapas do desenvolvimento.

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Projetos unem arqueologia e tecnologia

Entre os trabalhos que serão apresentados está o “Scansmile”, da equipe Aruanda Cyber Kids, da Escola Municipal Aruanda, no bairro dos Bancários. A solução consiste em um scanner 3D capaz de identificar padrões, formas e cores de artefatos arqueológicos e armazenar essas informações em uma nuvem digital. O objetivo é evitar a perda de registros históricos e facilitar a preservação de informações sobre os objetos. O projeto também faz referência a três sítios arqueológicos do Brasil estudados pelos alunos: a Pedra do Ingá, na Paraíba; o Vale do Catimbau, em Pernambuco; e a Serra da Capivara, no Piauí.

Outra solução foi desenvolvida pela equipe Lubotics, da Escola Municipal Lúcia Giovanna Duarte de Melo, no bairro de Gramame. Inspirados no radar de penetração no solo, os estudantes criaram um projeto que demonstra como a tecnologia pode auxiliar arqueólogos na localização de vestígios enterrados. A proposta busca mostrar como esses equipamentos ajudam a identificar materiais sob o solo sem necessidade de escavações, contribuindo para a preservação do patrimônio histórico.

Aprendizado vai além da robótica

A preparação para o torneio também envolve o desenvolvimento de habilidades como cooperação, inclusão, criatividade e resolução de conflitos. Na competição, esses princípios fazem parte dos “Core Values” (Valores Fundamentais), que estimulam as equipes a aprender juntas e a respeitarem as diferentes habilidades de cada participante.

Para a professora Pryscila Oliveira, coordenadora da equipe Aruanda Cyber Kids, um dos principais objetivos do torneio é garantir que todos os alunos tenham participação ativa na criação dos projetos. “É o desafio de toda sala de aula, que é fazer com que todos participem igualmente, fazer com que a habilidade pessoal de cada um se destaque, fazer com que cada um brilhe da sua forma”, explicou. Segundo ela, a metodologia permite que as crianças utilizem a tecnologia para buscar soluções para problemas reais. “A robótica mais do que só fazer robôs é mudar a vida dos estudantes, principalmente da rede municipal. Ela transforma vidas, traz novas perspectivas, traz um novo olhar de vida”, afirmou.

O aluno Camilo Ayô, de 8 anos, também destacou o trabalho em equipe durante a criação do “Scansmile”. “Foi muito divertido. Teve algumas partes que a gente brigou, mas resolvemos os conflitos com a conversa”, disse.

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Na equipe Lubotics, a professora Talita Mayara contou que os alunos participaram de todas as etapas do desenvolvimento, desde a pesquisa até a apresentação. “As crianças participaram de todas as etapas, fazendo pesquisas, construções e programação. Também fizeram os testes e prepararam a apresentação”, explicou. Entre os integrantes estão as gêmeas Rayssa e Rayanne, de 9 anos. Para Rayssa, a ideia do projeto surgiu a partir do trabalho coletivo. “A nossa ideia surgiu com a gente trabalhando em equipe e um escutando a ideia dos outros”, afirmou. Rayanne ressaltou os aprendizados que vão além da programação. “Aprendi a trabalhar junto com as pessoas, aprendi muitas coisas legais, programar, a ter respeito, educação, muitas coisas”, disse.

Robótica como ferramenta de aprendizado

Além de incentivar a criação de projetos, a FIRST LEGO League Explore busca aproximar crianças do universo da ciência e da tecnologia desde os primeiros anos escolares. Para Alex Paiva, head do Educacional, a robótica funciona como uma ferramenta de aprendizagem ao combinar criatividade, raciocínio lógico e resolução de problemas. “Nessa faixa etária, a robótica atua como uma ponte entre o brincar e o aprender. No nível Explore, as crianças desenvolvem o pensamento computacional, o raciocínio lógico e a resolução de problemas de forma muito natural”, afirmou.

A realização da etapa regional em João Pessoa amplia o contato dos estudantes da região com uma competição internacional. Segundo Paiva, levar eventos desse tipo a diferentes localidades permite que mais alunos tenham acesso a experiências práticas de aprendizagem. “O Nordeste e a Paraíba têm demonstrado um potencial gigantesco, com escolas, gestores e famílias percebendo que a robótica vai muito além de montar peças: trata-se de preparar os alunos para o futuro”, completou.

Programação aberta ao público

Além da apresentação dos projetos, o evento terá uma programação voltada a familiares e visitantes, com atrações como “Just Dance”, videogames, brinquedos infláveis, pintura de rosto, pipoca e algodão-doce. As atividades foram preparadas pela organização para aproximar a comunidade escolar da experiência proporcionada pela robótica e pela tecnologia.