Sorocaba tem 0,36 cursos de doutorado por 100 mil habitantes, o pior indicador do estado
Sorocaba tem pior indicador de cursos de doutorado em SP

Um estudo do pesquisador Carlos Henrique Costa da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), aponta que a Região Metropolitana de Sorocaba, quarta maior do estado de São Paulo em população, com 2,7 milhões de habitantes, oferece apenas 10 cursos de doutorado, todos concentrados no município de Sorocaba. O indicador de 0,36 cursos por 100 mil habitantes é o pior entre todas as regiões paulistas que possuem programas de doutorado.

Baixa oferta de doutorados em Sorocaba

Segundo o levantamento, baseado em dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Ministério da Educação (MEC), 97,9% das cidades da região não oferecem programas de doutorado. Em comparação, a Grande São Paulo concentra 355 cursos, Campinas tem 112, e regiões como Central, Ribeirão Preto e Vale do Paraíba variam entre 34 e 47 cursos. Sorocaba empata com Presidente Prudente e Baixada Santista, com 10 cursos cada, e fica atrás de centros menores como Bauru, que possui 29.

Disparidade regional acentuada

O estudo revela que a distribuição dos 697 cursos de doutorado do estado é altamente concentrada em apenas 38 municípios. Regiões periféricas como Araçatuba e Marília têm 8 cursos cada; Franca, 5; Barretos, 2; e Itapeva e Registro não possuem nenhum. Na proporção por habitantes, a região Central (São Carlos e Araraquara) lidera com 4,51 cursos por 100 mil, seguida por Ribeirão Preto (3,01) e Bauru (2,57). A Grande São Paulo, apesar do número absoluto elevado, tem apenas 1,67 cursos por 100 mil devido à sua população massiva. Sorocaba, com 0,36, fica abaixo até de Barretos (0,45) e Franca (0,67), regiões com menor população e relevância econômica.

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Importância para o desenvolvimento regional

O pesquisador Carlos Henrique Costa da Silva destaca que a criação de cursos de doutorado é a etapa mais avançada da consolidação acadêmica. "O doutorado exige maior maturidade institucional do que o mestrado, pois depende de produção científica regular, inserção nacional ou internacional, capacidade de orientação, infraestrutura de pesquisa e estabilidade do corpo docente." Ele ressalta que a presença de doutorados reverbera além do número de vagas: "Há a formação avançada de profissionais sem necessidade de deslocamento para São Paulo, Campinas ou outros polos; fortalecem grupos e laboratórios de pesquisa locais; ampliam a captação de recursos das agências de fomento; favorecem a cooperação entre universidade, empresas, escolas e governos; formam docentes para o ensino superior; produzem conhecimentos relacionados aos problemas ambientais, industriais, educacionais, econômicos e territoriais da região."

Contexto histórico da desigualdade

Silva explica que a origem da situação está no tratamento prioritário dado às instituições particulares em Sorocaba ao longo de décadas. "A forma como as primeiras faculdades foram criadas produziu consequências duradouras. Como Medicina, Filosofia e Direito foram organizadas por iniciativas municipais, confessionais ou comunitárias, o governo estadual passou a considerar que a demanda local estava, ao menos parcialmente, atendida." Ele compara com cidades que receberam institutos estaduais isolados nas décadas de 1950 e 1960, como Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Marília, Presidente Prudente e Rio Claro, que foram integrados à Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 1976. "Como Sorocaba não possuía instituição estadual equivalente para ser integrada à nova universidade, ficou fora da primeira configuração territorial da Unesp." O pesquisador também menciona a criação da Faculdade de Engenharia, hoje Centro Universitário Facens, em resposta ao perfil industrial da cidade: "Os empresários necessitavam de profissionais para modernizar fábricas, implantar processos produtivos, operar novas tecnologias e acompanhar a diversificação do parque industrial. As famílias defendiam a possibilidade de formação local, evitando os custos do deslocamento para outros polos."

O estudo conclui que a baixa oferta de doutorados em Sorocaba contrasta com seu peso demográfico e industrial, evidenciando a necessidade de investimentos para equilibrar o acesso à formação de alto nível e reduzir as disparidades regionais no estado de São Paulo.

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