Pela primeira vez desde 2016, o Brasil registrou uma redução na posse de celulares entre crianças de 10 a 13 anos. O motivo principal, segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira, é a crescente preocupação dos pais com a segurança e privacidade dos filhos no ambiente digital.
Preocupação com segurança cresce 7,8 pontos percentuais
Em 2025, 32% dos responsáveis por crianças de 10 a 13 anos afirmaram que a segurança e a privacidade são os principais motivos para não fornecerem um celular aos filhos. Esse percentual representa um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando o índice era de 24,2%.
De acordo com o IBGE, essa é a primeira vez que a segurança e privacidade superam outros motivos, como o custo do aparelho ou a falta de necessidade. O dado reflete um debate mais amplo sobre a exposição digital infantil, impulsionado por discussões como o ECA Digital e casos de exploração online.
Queda inédita na posse de celulares entre crianças
Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, houve uma redução na proporção de crianças de 10 a 13 anos que possuem celular. Em 2025, o percentual caiu para 68,4%, ante 70,1% no ano anterior. Apesar da queda, o índice ainda é elevado, indicando que a maioria das crianças nessa faixa etária ainda tem acesso ao aparelho.
Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, a posse de celular se manteve estável, em 92,3%. Já entre os adultos, o percentual continua acima de 95%.
Impacto do ECA Digital e casos de exploração online
O aumento da preocupação com segurança e privacidade ocorre em meio a um contexto de maior regulação e conscientização sobre os riscos do ambiente digital para crianças e adolescentes. A aprovação do ECA Digital, que estabelece normas para proteção de dados e segurança de menores na internet, e a divulgação de casos de exploração sexual online contribuíram para que os pais repensem o acesso dos filhos aos celulares.
“Os pais estão cada vez mais atentos aos perigos que o mundo digital pode representar para as crianças. A segurança e a privacidade se tornaram prioridades, e isso se reflete na decisão de adiar a entrega do primeiro celular”, afirmou a pesquisadora do IBGE responsável pelo levantamento.
Mudança de comportamento e tendências futuras
Os dados do IBGE indicam uma mudança no comportamento das famílias brasileiras, que passam a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao uso de tecnologia por crianças. Especialistas apontam que a tendência é de que a preocupação com segurança continue crescendo, especialmente com o avanço de novas ameaças digitais e a ampliação do debate sobre saúde mental infantil associada ao uso excessivo de telas.
A pesquisa também revela que, entre as crianças que não possuem celular, 45% dos responsáveis citam o custo como motivo, 18% acreditam que a criança não precisa e 5% mencionam a falta de interesse da própria criança.



