No final do século XIX, o Paraná ainda buscava uma identidade cultural própria que o projetasse nacionalmente. Com população de pouco mais de 120 mil pessoas segundo o censo de 1872, a então província vivia sem grande incentivo às artes. Foi nesse contexto que um grupo de poetas se uniu para tentar resolver essa lacuna por meio do Simbolismo, movimento que usava símbolos, musicalidade e linguagem vaga para explorar subjetividade e misticismo.
Antes do Paranismo, movimento que entre 1920 e 1930 consolidou símbolos como pinhão, erva-mate e gralha-azul, os poetas Dario Vellozo, Silveira Netto, Júlio Pernetta e Antônio Braga fundaram, em 1895, a revista O Cenáculo. A publicação trazia poemas, ensaios, críticas, traduções do francês e artigos de autores convidados de outros estados e países. A revista teve vida curta, sendo descontinuada em 1897, mas abriu espaço para a discussão artística no Paraná.
Os cenaculistas estavam incomodados com o escanteio do estado nas discussões culturais e intelectuais, especialmente em Curitiba. Segundo a pesquisadora Silvia Mello, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), as discussões fomentadas pelo grupo no contexto simbolista ajudaram a criar a ideia de uma cultura própria paranaense. O movimento era uma oposição ao modernismo e ao realismo da época, com influências de poetas como Charles Baudelaire e Arthur Rimbaud.
No Paraná, o simbolismo adquiriu características locais, incorporando sentimentos do contexto histórico. Os poetas viveram a época da Revolução Federalista, conflito que dividiu republicanos (pica-paus) e federalistas (maragatos) e se expandiu pelo Sul do país. A desilusão com a modernidade predominava, e o mal-estar causado pela guerra aparecia em obras como o poema "Missa Negra", de Silveira Netto, publicado em O Cenáculo.
Embora a revista tenha durado apenas dois anos, a ambição dos cenaculistas em criar um canal para a discussão artística no Paraná resultou em efeitos que se perpetuaram. O grupo é lembrado como um marco anterior ao Paranismo na construção de uma identidade cultural para o estado.



