MP-SP pede confirmação de liminar para vagas em creches em Presidente Prudente
MP-SP pede confirmação de liminar para vagas em creches

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça que confirme a liminar que obriga a Prefeitura de Presidente Prudente a garantir vagas em creches para todas as crianças que aguardam atendimento na rede municipal de educação infantil. A nova manifestação da Promotoria foi divulgada nesta quinta-feira (23). Atualmente, mais de 400 crianças estão na fila de espera, um déficit que foi alvo de reportagem da TV TEM.

Déficit estrutural e persistente

Na ação civil pública ajuizada em 2024, a Promotoria sustenta que a falta de vagas é um problema estrutural e persistente, e não uma dificuldade temporária decorrente de reorganização administrativa, como argumenta a prefeitura. Atualmente, 419 crianças aguardam uma vaga em creches da cidade.

A manifestação foi protocolada após sucessivas apresentações de informações pela Fazenda Pública Municipal sobre o cumprimento da decisão liminar. Para o MP, o processo já reúne elementos suficientes para julgamento definitivo, sem necessidade de novas provas, e a prefeitura não demonstrou o cumprimento integral das determinações judiciais.

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Determinações da liminar

A liminar, a qual a TV TEM e o g1 tiveram acesso, determinou que o município disponibilizasse, em até 60 dias, vagas para todas as crianças listadas na ação civil pública, respeitando critérios de georreferenciamento e de vulnerabilidade social. Caso não houvesse vagas na rede pública ou conveniada, a prefeitura deveria custear a matrícula em instituições particulares.

A decisão também obrigava o município a comprovar a notificação das famílias sobre as matrículas, apresentar um plano concreto para expansão e redimensionamento da oferta de vagas, com previsão orçamentária, além de elaborar, em até 90 dias, um plano de busca ativa para identificar crianças que ainda estão fora da rede de ensino. Em caso de descumprimento, a liminar previa multa diária de R$ 1 mil e a possibilidade de bloqueio de verbas públicas para custear vagas na rede particular.

Aumento da fila em 2026

Levantamento da TV TEM com base em dados do Portal da Transparência da Prefeitura mostra que, até esta quinta-feira (23), havia 419 crianças aguardando vagas em creches. No início de 2026, a fila era de aproximadamente 340 crianças. Embora o sistema municipal registre 1.214 solicitações de matrícula, a diferença ocorre porque uma mesma criança pode aparecer mais de uma vez no cadastro quando a família indica diferentes escolas ou turnos como opção.

Problema antigo e acordo descumprido

Na manifestação, o MP afirma que o déficit de vagas não é recente e decorre de uma falha estrutural na política pública municipal. Segundo a Promotoria da Infância e Juventude, os dados obtidos a partir do atendimento cotidiano da população demonstram que a insuficiência de vagas persiste há anos e não pode ser tratada como uma dificuldade momentânea de gestão.

O MP lembra que o problema já havia sido discutido em outra ação civil pública, ajuizada em 2013. Na ocasião, a prefeitura firmou um acordo judicial comprometendo-se a reduzir gradualmente a demanda reprimida e garantir atendimento integral até o fim de 2018. Esse compromisso não foi cumprido, o que motivou o ajuizamento da nova ação civil pública em julho de 2024.

Postura da prefeitura

Na manifestação, o Ministério Público afirma que a prefeitura tem se limitado a apresentar pedidos de prorrogação de prazo e informações parciais sobre obras em andamento, sem comprovar o cumprimento efetivo da liminar. Para a Promotoria, essa postura prejudica a efetividade da tutela coletiva obtida pela liminar, pois permite ao município adiar o cumprimento das obrigações enquanto o processo ainda não foi definitivamente julgado. Diante disso, o MP pediu que a Justiça reconheça que o processo está pronto para sentença, rejeite os argumentos apresentados pela Fazenda Pública Municipal e confirme integralmente a liminar concedida.

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O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Presidente Prudente informou que, após alterações no sistema de oferta de vagas, cada solicitação passou a ser registrada simultaneamente para três unidades escolares. Por esse motivo, um mesmo pedido aparece três vezes na plataforma. Segundo a administração municipal, ao desconsiderar esses registros duplicados, a demanda real seria de 475 crianças, todas cadastradas após o período regular de matrículas para o ano letivo de 2026.

A prefeitura afirmou ainda que todas as solicitações realizadas até outubro são atendidas no ano letivo seguinte. Já os pedidos feitos após esse período permanecem na fila de espera. Sobre registros anteriores a outubro de 2025, o município informou que eles podem estar relacionados à desistência da vaga pelos responsáveis, mudança de cidade ou a matrículas já concedidas que ainda não foram retiradas do sistema.