Das 50 escolas com as maiores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, apenas duas são públicas, ambas vinculadas a universidades federais. A maioria das instituições é privada e está concentrada nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e analisados por O GLOBO.
Predomínio de escolas privadas no topo do ranking
O ranking das 50 melhores escolas no Enem 2025 é dominado por colégios particulares, muitos deles tradicionais e com mensalidades elevadas. A presença de apenas duas escolas públicas – ambas colégios de aplicação de universidades federais – reforça a desigualdade no acesso à educação de qualidade no país.
Segundo o levantamento, as instituições privadas que lideram o ranking estão localizadas principalmente em capitais e grandes centros urbanos do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, e do Nordeste, como Recife e Fortaleza.
Queda de matrículas indica seleção de alunos
Parte dos colégios particulares que aparecem no topo do ranking apresentou queda significativa no número de matrículas entre 2024 e 2025. Especialistas apontam que essa redução pode estar associada a uma estratégia de seleção mais rigorosa de alunos, visando manter ou melhorar as posições no ranking do Enem.
“A diminuição de matrículas em algumas escolas de elite sugere que elas estão priorizando a performance acadêmica em detrimento do acesso ampliado”, afirma um analista educacional ouvido pelo O GLOBO.
Disparidade regional e desafios para a educação pública
A concentração das melhores escolas no Sudeste e Nordeste evidencia as disparidades regionais do Brasil. Enquanto isso, as duas escolas públicas que figuram no ranking são exceções que confirmam a regra: colégios de aplicação vinculados a universidades federais, que contam com infraestrutura e corpo docente diferenciados.
O MEC destacou que o resultado do Enem 2025 serve como um termômetro da qualidade do ensino, mas não deve ser o único indicador avaliado. A pasta reforçou a importância de políticas públicas para reduzir as desigualdades educacionais.



