Cigarros eletrônicos apreendidos viram tecnologia em projeto do IFTM
Cigarros eletrônicos apreendidos viram tecnologia no IFTM

Estudantes do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) desenvolveram uma iniciativa que une sustentabilidade, inovação e impacto social em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, que haviam sido apreendidos pela Receita Federal, foram reaproveitados na criação de controles remotos, termômetros, oxímetros, kits robóticos e um dispositivo de apoio à comunicação para pessoas com dificuldades na fala.

Em vez de seguirem para descarte, os componentes dos dispositivos foram transformados em novas tecnologias. Segundo o IFTM, os protótipos reutilizam partes dos vapes para desenvolver soluções que atendem tanto à área de sustentabilidade quanto ao bem-estar de moradores da região.

O desafio da Transformathon IFTM

O pontapé inicial do projeto ocorreu durante a “Transformathon IFTM”, competição promovida pela instituição em parceria com a Receita Federal. As equipes participantes tiveram 45 dias para criar produtos a partir dos componentes de cigarros eletrônicos apreendidos. Durante esse período, os alunos foram desafiados a buscar aplicações práticas para materiais que, em circunstâncias normais, seriam simplesmente descartados.

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Entre os equipamentos desenvolvidos ao longo da maratona de inovação estão kits robóticos, controles remotos, vasos inteligentes, oxímetros e termômetros infravermelhos. Os projetos também aproveitam baterias que seriam jogadas fora, ampliando o potencial de reutilização dos materiais.

A diretora de Extensão e Cultura do IFTM, Lívia Gomes, destacou a proposta central do desafio. “Eles foram convidados a entrar nesse desafio e pensar no que surgiria de útil e importante para a sociedade. Cada equipe desenvolveu uma proposta de transformação”, explicou.

Projetos premiados e reutilização de baterias

Segundo Lívia, dois trabalhos desenvolvidos por estudantes do campus Uberaba se destacaram na competição. O primeiro lugar ficou com um projeto que substituiu pilhas convencionais por módulos de bateria retirados de vapes, permitindo o funcionamento de equipamentos que dependem de energia portátil. A solução cria uma alternativa sustentável ao uso de pilhas descartáveis.

O aproveitamento das baterias também foi um dos diferenciais do projeto, já que elas são um dos componentes mais delicados dos cigarros eletrônicos em relação ao descarte. Ao integrar os módulos a novos dispositivos, os estudantes evitam que o material tenha fim inadequado e ainda geram economia de recursos para usuários finais.

Assobio: tecnologia assistiva criada com componentes de vape

Já o segundo lugar foi para o “Assobio”, dispositivo desenvolvido para auxiliar pessoas com dificuldades na fala. O projeto surgiu depois que um dos estudantes se inspirou na história de um amigo que perdeu a fala e parte dos movimentos após um acidente. O equipamento foi construído com sensores, piteiras e módulos de bateria retirados dos vapes.

Os componentes que seriam descartados passaram a integrar uma tecnologia assistiva capaz de transformar sopros e sucções em comandos digitais. Com isso, a pessoa consegue selecionar palavras e frases usando apenas o fluxo de ar captado pelo aparelho. Na prática, o dispositivo pode facilitar a comunicação de pessoas com limitações motoras e de fala.

O estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas Felipe de Freitas, integrante da equipe, explicou como o grupo adaptou o material. “A gente uniu esses dois contextos para criar o Assobio. Aproveitamos a parte do vape onde se coloca a boca para desenvolver a peça por onde a pessoa sopra o ar”, contou. Segundo Freitas, a equipe desmontou os vapes e reaproveitou piteiras e sensores na construção do novo dispositivo.

Integração entre ensino, pesquisa e extensão

Todo o material utilizado nos projetos foi entregue ao IFTM pela Receita Federal para fins educacionais. O reitor do instituto, Marcelo Ponciano, avaliou positivamente a iniciativa. “Isso é a caracterização do ensino atrelado à pesquisa e à extensão, que é a nossa missão institucional”, destacou.

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O projeto mobilizou estudantes de diferentes áreas e mostrou como a instituição pode transformar um problema em oportunidade de aprendizado. Além de gerar novos equipamentos, a ação aproxima os alunos da prática profissional e reforça a importância de pensar em soluções sustentáveis e acessíveis para a comunidade.