O Bradesco BBI elevou a recomendação para as ações da Cogna (COGN3) de neutro para compra, estabelecendo novo preço-alvo de R$ 4, ante os anteriores R$ 3,80. Em relatório assinado pelos analistas Marcio Osako e Henrique Colla, o banco também passou a considerar a companhia sua principal escolha (top pick) no setor de educação. A mudança reflete uma combinação de valuation atrativo, momento favorável para os lucros, baixa alavancagem e maior liquidez em relação às concorrentes.
Valuation e dividendos atrativos
Segundo o BBI, a ação da Cogna negocia a 4,5 vezes o lucro estimado para 2027, com rendimento do fluxo de caixa livre (FCFE yield) de 21%. O banco avalia que a companhia poderá distribuir até 100% do lucro líquido de 2026, estimado em R$ 634 milhões, na forma de dividendos em 2027, sem comprometer a desalavancagem. Nesse cenário, o dividend yield poderia atingir 14%, superando os 7% considerados na projeção atual. Essa perspectiva de distribuição reforça a tese de investimento, combinando crescimento com retorno ao acionista.
Perspectivas para o segundo trimestre
Para o segundo trimestre, o BBI projeta resultados neutros a positivos, sustentados por sólida geração orgânica de R$ 200 milhões em FCFE, crescimento de 46% na base anual. O banco destaca que o trimestre também será beneficiado pelo adiamento do reconhecimento de receitas do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), originalmente esperado para o quarto trimestre de 2025. A expectativa é de que a receita líquida avance 18% em relação ao mesmo período do ano passado, desacelerando frente ao crescimento de 32% registrado no primeiro trimestre de 2026. Esse desempenho deve ser impulsionado pela alta de 6% na Kroton, liderada pelo ensino on-campus, e pelo crescimento de 50% na divisão de Educação Básica, principalmente devido ao reconhecimento das receitas do PNLD.
Margens sob pressão na Kroton, mas melhora na Educação Básica
A margem Ebitda consolidada deve recuar 2,8 pontos percentuais na comparação anual, para 30%. Na Kroton, a margem deve cair 1,4 ponto percentual, refletindo o aumento do custo das mercadorias vendidas (CMV) e das despesas operacionais, parcialmente compensados por uma melhora nas provisões para devedores duvidosos (PDA). Já na divisão de Educação Básica, a margem deve avançar 1 ponto percentual, beneficiada pela redução das despesas com marketing, que mais do que compensa os efeitos do PNLD e do aumento das despesas com pessoal.
Rebaixamento da Ânima e visão setorial
Em contrapartida, o Bradesco BBI rebaixou a recomendação das ações da Ânima (ANIM3) de compra para neutra, com novo preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 4,30, ante R$ 7,00. A decisão reflete maior sensibilidade dos lucros aos juros, dado o nível elevado de alavancagem, risco de execução no turnaround da FMU e menor suporte de valuation no curto prazo. Apesar disso, o banco mantém-se mais positivo com o setor de educação, reiterando recomendações de compra para Yduqs (YDUQ3) e Vitru (VTRU3), diante de FCFE yields atrativos, entre 19% e 21% para 2027, após a forte queda das ações no ano. O BBI destaca que a combinação de valuations descontados e geração de caixa robusta torna o setor atrativo para investidores de médio e longo prazo.



