O engajamento dos pais na educação dos filhos é o fator mais determinante para o aprendizado infantil, superando a renda familiar e o nível de escolaridade dos responsáveis. A conclusão é de um estudo do economista Ricardo Paes de Barros, do Insper, apresentado nesta quarta-feira em São Paulo.
Pesquisa analisa dados de mais de 5 mil crianças
A pesquisa acompanhou 5.200 crianças de 4 a 6 anos em cinco estados brasileiros entre 2023 e 2025. Os resultados indicam que crianças cujos pais se envolvem ativamente em atividades como leitura, brincadeiras educativas e acompanhamento escolar têm desempenho até 30% superior em testes de linguagem e matemática, em comparação com aquelas com baixo engajamento parental.
“O que mais importa não é quanto os pais ganham ou estudaram, mas o que eles fazem com os filhos no dia a dia”, afirmou Paes de Barros. “Uma mãe analfabeta que lê para o filho todos os dias pode gerar mais impacto do que uma mãe com doutorado que não interage.”
Engajamento supera fatores socioeconômicos
O estudo controlou variáveis como renda, escolaridade dos pais e acesso a creches. Mesmo assim, o engajamento parental explicou 40% da variação no aprendizado, enquanto a renda respondeu por apenas 15%. “Isso mostra que políticas públicas podem atuar diretamente no comportamento das famílias, independentemente de sua condição financeira”, destacou o economista.
Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados a pais e professores, além de avaliações cognitivas padronizadas. As crianças foram testadas em habilidades de linguagem oral, consciência fonológica e noções matemáticas básicas.
Recomendações para políticas públicas
Paes de Barros sugere que governos invistam em programas de visitação domiciliar e campanhas de conscientização sobre a importância da interação precoce. “Visitas semanais de agentes comunitários ensinando atividades simples, como cantar ou contar histórias, podem transformar o desenvolvimento infantil”, explicou.
O estudo também aponta que o efeito positivo do engajamento é ainda maior em famílias de baixa renda. “O potencial de ganho é enorme justamente onde o contexto é mais desafiador”, concluiu. A pesquisa será publicada na revista acadêmica Economics of Education Review.



