Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que 9 em cada 10 médicos jovens no Brasil não se sentem preparados para comunicar más notícias aos pacientes. O estudo, que ouviu 2.418 médicos, mostra que apenas 40% receberam treinamento específico sobre o tema durante a graduação em Medicina.
Baixa capacitação na graduação
O levantamento aponta que a maioria dos médicos formados recentemente considera insuficiente o preparo oferecido pelas faculdades para lidar com situações delicadas, como comunicar diagnósticos graves ou óbitos. Segundo os pesquisadores, a falta de treinamento estruturado em comunicação impacta diretamente a relação médico-paciente e a saúde emocional dos profissionais.
“A comunicação de más notícias é uma habilidade essencial na prática médica, mas ainda é negligenciada nos currículos”, afirma o coordenador do estudo, Dr. Carlos Alberto da Silva. “Os jovens médicos se sentem desamparados e isso pode gerar estresse, ansiedade e até mesmo erros de conduta.”
Necessidade de reforma curricular
Os dados indicam que apenas 40% dos entrevistados tiveram algum tipo de treinamento formal em comunicação durante a faculdade. A maioria aprendeu na prática, observando colegas mais experientes ou por tentativa e erro. A pesquisa sugere que as escolas médicas precisam incluir disciplinas obrigatórias sobre comunicação, abrangendo tanto aspectos técnicos quanto emocionais.
“Não se trata apenas de transmitir a informação, mas de acolher o paciente e a família, lidar com as reações emocionais e oferecer suporte”, explica o Dr. Silva. “Isso exige treinamento específico, que não pode ser substituído pela experiência informal.”
Impacto na carreira e na saúde mental
O despreparo para comunicar más notícias também afeta a satisfação profissional e a saúde mental dos médicos. Muitos relatam sentimento de impotência, medo de errar e desgaste emocional. A pesquisa reforça a importância de programas de educação continuada e suporte psicológico nas instituições de saúde.
“Os hospitais e clínicas deveriam oferecer capacitação periódica para seus profissionais, especialmente os mais jovens”, sugere o pesquisador. “Isso melhoraria a qualidade do atendimento e reduziria o sofrimento dos próprios médicos.”



