Um relatório recente revela que 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica, o equivalente a 37,3% dessa faixa etária. O estudo, que analisa os desafios da educação no país, mostra que, apesar de uma queda gradual no número de pessoas sem o ensino fundamental completo, a redução está mais associada à mortalidade da população mais velha do que a avanços efetivos em políticas públicas educacionais.
Dificuldades de acesso ao EJA e falta de prioridade política
O programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), principal via para quem deseja retomar os estudos, enfrenta obstáculos significativos. A baixa prioridade política e a falta de investimentos adequados agravam o problema. Muitos brasileiros que não concluíram os estudos relatam que trabalhavam noite e dia, impossibilitando a frequência às aulas. A ausência de suporte como creches para filhos pequenos e horários flexíveis são barreiras adicionais.
José Paulino e Francisco Tarcísio são exemplos de brasileiros que não conseguiram completar a educação básica. Eles enfrentaram jornadas exaustivas de trabalho e falta de condições para estudar. A história deles reflete a realidade de milhões no país.
Números e impactos sociais
O relatório destaca que, embora o percentual de não concluintes venha caindo ao longo dos anos, o ritmo é lento. Em 2022, eram 68,4 milhões (40,3%), contra 63,9 milhões agora. A redução de 4,5 milhões se deve, em grande parte, ao falecimento de pessoas com baixa escolaridade, e não a políticas de inclusão.
A falta de educação básica completa tem impactos profundos no mercado de trabalho e na renda. Pessoas sem o ensino fundamental têm salários médios 40% menores do que aqueles com o ensino médio completo, segundo dados do IBGE. Além disso, a baixa escolaridade limita o acesso a empregos formais e a oportunidades de qualificação.
Desafios para retomar os estudos
Para muitos, retornar à sala de aula é um sonho distante. A falta de creches, transporte público adequado e horários compatíveis com o trabalho são entraves. O relatório sugere que políticas públicas mais robustas, com investimento em EJA noturno, apoio à parentalidade e incentivos financeiros, poderiam reverter o quadro.
Segundo os pesquisadores, a educação de jovens e adultos precisa ser tratada como prioridade nacional. Enquanto isso não ocorrer, milhões de brasileiros continuarão excluídos do direito básico à educação.



