A Copa do Mundo nos Estados Unidos, antes celebrada por Gianni Infantino como uma ferramenta de união entre povos, mostrou que a política e o futebol nunca estiveram separados. O torneio reforçou lições históricas sobre a influência geopolítica no esporte.
Intervenção de Trump no caso Balogun
O episódio mais emblemático foi o telefonema de Donald Trump a Gianni Infantino pedindo a revisão da suspensão de Folarin Balogun, atacante da seleção americana. O pedido foi atendido, e o jogador liberado para atuar. Apesar da eliminação precoce dos EUA para a Bélgica, o caso demonstra como um chefe de Estado pode interferir em decisões esportivas, expondo a fragilidade da independência da Fifa.
Restrições diplomáticas e logísticas
A delegação do Irã enfrentou desgaste logístico por não poder permanecer nos EUA entre as partidas, devido a restrições diplomáticas. Enquanto outros times tinham bases fixas, os iranianos viajavam constantemente, evidenciando o impacto político no torneio.
Barreiras migratórias e exclusão
O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, um dos principais da África, não obteve visto para entrar nos EUA, perdendo a Copa. Jornalistas e outros profissionais também tiveram vistos negados, mostrando que a Fifa se adaptou às regras migratórias americanas, contradizendo seu discurso de que as Copas pertencem ao mundo.
Contexto histórico
Esse padrão não é exclusivo dos EUA. A história das Copas inclui usos políticos na Itália fascista de 1934, na Argentina ditatorial de 1978, nos debates sobre direitos humanos no Catar e nas manifestações no Brasil em 2014. O futebol sempre foi palco de disputas que transcendem as quatro linhas.



