Mercadão de Piracicaba: um ano após incêndio, comerciantes recomeçam
Um ano após incêndio, Mercadão de Piracicaba recomeça

Um ano após o incêndio que devastou parte do Mercado Municipal de Piracicaba, os comerciantes ainda trabalham em boxes provisórios instalados no estacionamento, enquanto aguardam a conclusão da reconstrução do prédio histórico. O fogo, ocorrido em 23 de julho de 2025, consumiu 25% da estrutura e atingiu 17 lojas, deixando os permissionários com perda total de mercadorias e equipamentos. A previsão é que as obras de reconstrução sejam finalizadas até o fim de 2026.

Reconstrução em etapas e custos

A primeira etapa da reconstrução, custeada pelo seguro do espaço, teve custo de R$ 2,4 milhões e incluiu demolições, reestruturação de paredes, troca de telhado e redes de água e esgoto. Para concluir a obra, ainda eram necessários R$ 1,7 milhão. Em junho de 2026, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei autorizando a Prefeitura a repassar R$ 1 milhão para a segunda etapa. O repasse foi sancionado e publicado no Diário Oficial do Município em 14 de julho de 2026. Agora, a Associação do Comércio Varejista do Mercado Municipal busca captar os R$ 745 mil restantes para finalizar a reconstrução.

Comerciantes enfrentam transtornos

Os comerciantes atingidos ainda convivem com os reflexos do incêndio. A vendedora Eliane dos Santos, que trabalha no Mercadão há 36 anos, afirma que a estrutura dos boxes permitiu manter as vendas, mas a volta ao prédio principal é muito aguardada. "Não só eu, como a dona da loja também, por causa de espaço", comentou. Já a permissionária Iara Silva relatou dificuldades com estoque: "Precisamos urgentemente voltar para o nosso espaço. O que está prejudicando é o fato de não termos o estoque aqui, porque o fornecedor, às vezes, chega com dez ou 15 caixas e não há onde colocar as mercadorias. Precisamos alugar um espaço extra na Rua Boa Morte para armazenar. Também há vezes que o cliente chega e não tem o produto porque não dá tempo de repor, perdemos vendas", contou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Mercadão como identidade cultural

Para os piracicabanos, o Mercadão Municipal é mais que um ponto de venda; é parte da identidade cultural e turística da cidade. A dona de casa Juliane de Souza, de São Pedro, faz questão de visitar o espaço quando vai a Piracicaba. "Faz parte da história da cidade, do povo, da cultura local, da pamonha de Piracicaba, que eu já escutava ainda lá no Paraná e, justamente, no Mercadão, vendia", contou. Ela comparou o incêndio a "um machucado na cidade".

Modelo de gestão e divisão de custos

O arranjo financeiro que divide a conta da reforma entre poder público e permissionários se deve ao modelo de gestão do espaço. O prédio é de propriedade da Prefeitura, mas a administração é privada, sob responsabilidade da Associação do Comércio Varejista do Mercado Municipal. "Toda manutenção e melhoria é por conta da associação", informou a organização. O repasse de R$ 1 milhão não gerará novas despesas aos cofres públicos, pois sairá de remanejamento orçamentário, com readequação nas leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Plano Plurianual (PPA). Para receber a verba, a associação deverá apresentar um plano de trabalho detalhado à Prefeitura e prestar contas em até 90 dias.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar