Transformações urbanas apagam história do Centro do Rio de Janeiro
Transformações urbanas apagam história do Centro do Rio

Nos últimos 150 anos, o Centro do Rio de Janeiro passou por intensas transformações urbanas que apagaram grande parte de seu patrimônio histórico. Morros foram destruídos, ruas e avenidas criadas, e praias inteiras desapareceram do mapa. Entre as perdas mais emblemáticas estão a Igreja São Pedro dos Clérigos e o Convento da Ajuda, demolidos para dar lugar a novas vias e cinemas.

Demolições que marcaram época

A Igreja São Pedro dos Clérigos, um dos templos mais importantes do período colonial, foi derrubada em 1913 para a abertura da Avenida Rio Branco. Já o Convento da Ajuda, fechado em 1911, cedeu espaço à Cinelândia, ainda em construção na época. A demolição desses marcos simboliza o preço pago pelo progresso urbano, que priorizou a modernização em detrimento da preservação histórica.

Praias e chafarizes perdidos

Outra perda significativa foi a praia de Santa Luzia, que existia onde hoje está o Aeroporto Santos Dumont. O Chafariz das Marrecas, importante ponto de encontro e abastecimento de água, também desapareceu. Esses elementos faziam parte do cotidiano dos cariocas e hoje são apenas memórias registradas em fotografias e relatos.

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Impacto na memória da cidade

As transformações não se limitaram a edifícios e praias. Bairros inteiros foram isolados ou tiveram sua configuração alterada, como a região da Saúde e da Gamboa, que perderam parte de sua identidade original. Segundo o historiador Thiago Gomide, criador do projeto Tá na História, 'as preciosidades que o Centro perdeu são um lembrete de que o progresso nem sempre respeita o passado'. A memória desses locais permanece viva, mas a cidade segue mudando, deixando para trás um rastro de destruição patrimonial.

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