Tolerância Zero no Rio: moradores aprovam e ambulantes temem sustento
Tolerância Zero no Rio: moradores aprovam e ambulantes temem

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou o programa Tolerância Zero para combater o comércio ambulante irregular na orla da cidade. A estratégia começa no próximo dia 16 de outubro, com ações de fiscalização 24 horas por dia para coibir irregularidades. A medida foi anunciada pelo prefeito Eduardo Cavaliere após o jornal O GLOBO revelar o caos na orla, com denúncias de desordem e exploração do espaço público pelo crime organizado.

Moradores aprovam a iniciativa

Moradores da Zona Sul, especialmente de Ipanema e Copacabana, aprovaram o anúncio. “A orla estava insustentável, com ambulantes obstruindo a passagem e vendendo produtos sem qualquer controle. Apoio total à prefeitura”, disse Maria da Silva, moradora de Ipanema. A pesquisa informal realizada pela prefeitura indica que 78% dos residentes da região são favoráveis à medida.

Ambulantes preocupados com o sustento

Por outro lado, os ambulantes regulares e irregulares expressaram preocupação. “Muitos de nós dependemos dessa venda para alimentar nossas famílias. Se a fiscalização for muito dura, não teremos como sobreviver”, afirmou João Santos, vendedor ambulante que atua na Praia de Copacabana há cinco anos. A prefeitura informou que irá cadastrar os ambulantes regulares e oferecer alternativas de trabalho, mas os detalhes ainda não foram divulgados.

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Detalhes do programa Tolerância Zero

O programa prevê a atuação de agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) em conjunto com a Guarda Municipal, em operações diurnas e noturnas. Serão apreendidos materiais e mercadorias de vendedores não autorizados, além da aplicação de multas que podem chegar a R$ 5 mil. A prefeitura também vai instalar câmeras de monitoramento em pontos estratégicos da orla.

Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a ação visa combater a exploração do espaço público pelo crime organizado. “Não vamos tolerar a desordem. A orla é um patrimônio de todos os cariocas e turistas, e precisa ser protegida”, declarou. A prefeitura estima que cerca de 2 mil ambulantes atuam irregularmente na orla, dos quais 60% estariam ligados a organizações criminosas.

Impacto econômico e social

A medida deve impactar diretamente a economia informal, que movimenta aproximadamente R$ 50 milhões por ano na orla. A prefeitura prometeu criar um cadastro único de ambulantes e oferecer cursos de capacitação profissional para aqueles que desejam se formalizar. No entanto, críticos apontam que o programa pode aumentar o desemprego e a marginalização social.

A Associação de Ambulantes do Rio (Amar) afirmou que vai recorrer à Justiça caso as ações sejam consideradas abusivas. “Queremos diálogo, não repressão. Muitos ambulantes são pais de família que não têm outra opção de trabalho”, disse o presidente da associação, Carlos Oliveira.

Próximos passos

A fiscalização começa no dia 16 de outubro, mas a prefeitura já iniciou uma campanha de conscientização nas praias. Agentes estão distribuindo panfletos e orientando os vendedores sobre as novas regras. A população pode denunciar irregularidades pelo telefone 1746.

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