Tetraplégica cinco vezes recebe pedido de casamento na Maratona do Rio
Tetraplégica cinco vezes recebe pedido de casamento na Maratona

A fisioterapeuta Roberta Rodrigues, que enfrentou cinco episódios de tetraplegia ao longo da vida devido a uma doença neurológica rara e autoimune, viveu um momento inesquecível após participar da Maratona do Rio. Ao cruzar a linha de chegada, ela foi surpreendida com um pedido de casamento feito pelo namorado, Nicael Macedo.

Emoção nas redes sociais

Nas redes sociais, Roberta compartilhou a emoção de viver, ao mesmo tempo, a realização de um sonho e um novo capítulo em sua história. "Eu fiquei cadeirante e não pude correr a Maratona do Rio com minhas próprias pernas. Mas meu namorado correu comigo na cadeira de rodas e, além de colocar uma medalha no meu pescoço, colocou um anel no meu dedo. Eu tô noiva", relatou.

Trajetória de superação

Natural de Santa Fé de Goiás, Roberta contou ao g1 que precisou interromper estudos, carreira e projetos pessoais diversas vezes por causa da doença. Ainda assim, sempre conseguiu retomar a rotina, voltar a andar, trabalhar e até correr. Atualmente, ela faz tratamento contínuo com um medicamento imunomodulador, aplicado a cada seis meses, para reduzir os ataques do sistema imunológico ao próprio organismo. Nas redes sociais, também compartilha sua trajetória para inspirar outras pessoas.

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Nos vídeos publicados após a maratona, a fisioterapeuta destacou a importância daquele momento. "Realizei o sonho de correr a Maratona do Rio. Fiquei tetraplégica, cadeirante e pensei que isso nunca mais seria possível", afirmou. Ela também se emocionou ao falar sobre o apoio do companheiro. "Deus, na sua infinita bondade, me fez conhecer um homem que, além de namorado, se tornou ‘minhas pernas’ e me trouxe para viver esse sonho. Como se não bastasse, Deus ainda me fez viver outro sonho", escreveu.

A Maratona do Rio 2026 foi realizada entre os dias 3 e 7 de junho.

Conheça a história de Roberta

Fisioterapeuta intensivista formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), Roberta construiu uma carreira marcada pela superação. Fez residência, conquistou aprovações em processos seletivos, atuou na linha de frente durante a pandemia da Covid-19 e se tornou uma defensora da humanização no atendimento em saúde. "Ou eu estava doente ou estava correndo atrás do meu futuro de forma muito acelerada. Porque o tempo me foi tomado", relatou em entrevista ao repórter Addan Vieira.

Primeira crise em 2008

A primeira crise aconteceu em 2008, após receber a vacina contra a febre amarela. Poucas horas depois, ela começou a perder os movimentos das pernas e, em seguida, dos braços. Transferida para Goiânia, a jovem foi internada e seu quadro se agravou rapidamente. "Eu fui paralisando tudo até que tive minha primeira parada respiratória e fui para a UTI. Fiquei entubada", relembrou. Na época, ela recebeu o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que compromete o sistema nervoso e pode afetar até os músculos responsáveis pela respiração.

Com o passar dos anos, novas crises surgiram. Diferentemente do que ocorre na maioria dos casos de Guillain-Barré, em que há recuperação após a fase aguda, Roberta passou a apresentar recaídas recorrentes e fraqueza muscular persistente. Os exames mais recentes indicaram a evolução do diagnóstico para Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma forma crônica da doença. Hoje, ela convive com fraqueza nos quatro membros, necessita de tratamento contínuo e realiza reabilitação intensiva. Ela acredita que o preparo físico teve papel fundamental em todas as suas recuperações.

Segundo Roberta, todas as recaídas terminaram com recuperação completa dos movimentos, resultado que atribui tanto ao condicionamento físico quanto ao conhecimento adquirido como fisioterapeuta. Hoje, ela segue em tratamento preventivo para controlar a doença e valoriza cada conquista diária. "Eu já estive pior. Já estive completamente paralisada. Então, cada movimento que volta é uma vitória", afirmou.

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