A Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, foi reinaugurada nesta quarta-feira (1º) após três anos e meio fechada. O espaço estava interditado desde janeiro de 2023, quando um incêndio atingiu o telhado. A reforma, executada pela Secretaria de Cultura da Bahia (Secult), abrangeu todo o complexo, incluindo foyer, jardim suspenso, salas de ensaio, restaurante e fachada, com investimento total de cerca de R$ 260 milhões.
Reforma e padrão internacional
O secretário de Cultura do estado, Bruno Monteiro, destacou a qualidade da obra. "Estamos entregando um teatro totalmente preservado, ao mesmo tempo modernizado e atualizado. Temos um equipamento de padrão internacional preservando a arquitetura moderna", afirmou. Esta foi a primeira grande reforma desde o tombamento do teatro modernista pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2014. A Concha Acústica e a Sala do Coro não passaram por reforma, pois foram modernizadas em 2016 e 2018, respectivamente.
Sala Principal: palco e acústica
O incêndio de 2023 danificou o telhado da Sala Principal, mas não houve danos estruturais ou feridos. Com a reforma, a capacidade de carga no palco foi aumentada, permitindo receber espetáculos como o Cirque du Soleil, que antes não podia se apresentar devido às limitações. O pé-direito da sala também foi ampliado. Todas as cadeiras da plateia foram restauradas. Durante a obra, funcionários descobriram um assoalho de madeira sob o carpete, que será mantido entre as cadeiras, enquanto o carpete permanece nos corredores.
Thiago Reis, coordenador executivo da obra, explicou que o principal desafio foi a substituição de todo o telhado, totalizando 5 mil m². "Mais de 3 mil m² eram plateia e palco, então precisávamos fazer essa substituição para depois darmos andamento a outras etapas. Essa substituição completa é importante para melhorar a acústica e facilitar manutenções futuras", disse.
Jardim Suspenso reativado
Com vista para o Largo do Campo Grande, o Jardim Suspenso do teatro estava desativado há anos, acessível apenas por imagens aéreas. Sarah Prado, diretora geral da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb-BA), informou que o local estava inutilizado por falta de acessibilidade e rota de fuga, exigida pelo Corpo de Bombeiros. A reforma incluiu novas escadas e um elevador para pessoas com mobilidade reduzida, além de fontes de água e energia para realização de espetáculos. "Hoje temos nove espaços que podem receber eventos de diferentes naturezas ao mesmo tempo", comemorou.
Novo prédio e acessibilidade
O teatro ganhou um novo prédio com elevador, localizado na entrada do Garcia, através do Edifício Lâmina. A estrutura liga praticamente todos os espaços do complexo: é possível descer para a Concha Acústica ou subir até a Sala Principal. Antes, o percurso era feito com um carro disponibilizado pelo teatro para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. O Edifício Lâmina também funciona como armazém cenográfico.
Sustentabilidade
Todo o madeiramento retirado da Sala Principal foi reutilizado em outros espaços, como no foyer e na sala de ensaio do balé. No edifício principal, foi implementada captação de águas pluviais para limpeza externa e manutenção dos jardins. A iluminação foi substituída por lâmpadas de LED, que consomem menos energia.
O g1 visitou o complexo antes da inauguração e registrou as novidades em imagens.



