Tarifa de ônibus em Bauru sobe para R$ 6,25 mesmo com aumento do subsídio
Tarifa de ônibus em Bauru sobe para R$ 6,25 com subsídio

O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Donizete do Carmo, afirmou que o reajuste de 8,7% na tarifa do transporte coletivo em Bauru (SP) foi necessário para garantir o equilíbrio financeiro do sistema. A partir de 20 de agosto, o valor da passagem passa de R$ 5,75 para R$ 6,25. A nova tarifa foi oficializada pela Prefeitura nesta terça-feira (21), por meio de decreto publicado no Diário Oficial.

Justificativa técnica para o aumento

"O aumento da tarifa, o reajuste da tarifa, é por conta da conclusão que a Emdurb fez nos cálculos. Nossa equipe técnica faz um cálculo de todo o sistema. (...) A equipe técnica fez esse cálculo e chegou à conclusão que havia a necessidade de reajustar a passagem para cobrir o custo do sistema", disse o presidente em entrevista à TV TEM.

Segundo a Emdurb, a tarifa técnica do transporte coletivo foi recalculada e passou, na verdade, para R$ 7,50. Para reduzir o impacto aos usuários, a Prefeitura ampliou o subsídio pago por passageiro, de R$ 0,75 para R$ 1,25, elevando o desembolso anual para cerca de R$ 20 milhões. Mesmo com a medida, a tarifa paga pelos passageiros subirá R$ 0,50.

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Subsídio e reajuste: processos independentes

Esse reajuste foi anunciado pouco mais de um mês após a Câmara Municipal aprovar o aumento do subsídio. Na época, a expectativa era de que a ampliação do repasse fosse suficiente para manter a passagem em R$ 5,75. Questionado sobre por que o novo cálculo da tarifa foi divulgado somente depois da aprovação do subsídio, o presidente da Emdurb, Donizete do Carmo, afirmou que os dois processos são independentes.

"Não dá para se fazer antes. São institutos diferentes. Primeiro, o subsídio não é para as empresas. O subsídio serve para aliviar o bolso do usuário do transporte coletivo, porque, se não tivesse o subsídio, o usuário teria que pagar mais caro", explica.

Quando perguntado se a Prefeitura poderia ampliar novamente o subsídio para evitar o reajuste ao usuário, Donizete afirmou que o repasse já está no limite. "É uma questão orçamentária e financeira. O município tem um orçamento e trabalha dentro dele. Não tem como o município aumentar essa participação mais. O município já aumentou em torno de 25%", respondeu.

Novos valores e isenções

Confira como fica o preço da passagem de ônibus com o reajuste anunciado:

  • Tarifa em dinheiro ou cartão: R$ 6,25;
  • Tarifa de estudante com cartão: desconto de 50%, conforme legislação municipal;
  • Estudantes menores de 18 anos: 25% custeados pelo Sistema e 25% pelo Poder Público;
  • Estudantes maiores de 18 anos: 25% custeados pelo Poder Público e 25%, por liberalidade, pelas empresas concessionárias;
  • Integração: sem custo;
  • Idosos de 60 a 64 anos cadastrados, idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência: permanecem com isenção tarifária.

Usuários criticam aumento

A reportagem da TV TEM ouviu passageiros em pontos de ônibus de Bauru na manhã desta quarta-feira (22). Entre as principais reclamações estão a superlotação dos veículos, atrasos, falta de ar-condicionado e o impacto do reajuste no orçamento. "Você vê, o transporte está precário. Os ônibus são sucateados, atrasados, quebrando. Não concordo. (...) [Um aumento de R$ 0,50] desequilibra as nossas contas", afirmou o pintor.

Com o reajuste, quem usa dois ônibus por dia gastará R$ 1 a mais diariamente. Ao longo de um mês de trabalho, esse aumento representa cerca de R$ 24. Em um ano, são R$ 288 a mais. "No meu caso, eu pego quatro ônibus por dia. A gente fala que são 50 centavos, mas de 50 em 50, soma no final do mês quanto vai ficar essa conta?", pontuou Vanda Roseli, recuperadora de crédito.

Melhorias dependem de nova licitação

Sobre as críticas à qualidade do serviço, Donizete afirmou que a Prefeitura prepara uma nova licitação para o transporte coletivo e que o futuro contrato poderá exigir ônibus com ar-condicionado. "O município iniciou um procedimento licitatório. Esse procedimento teve que ser suspenso pelo Tribunal de Contas, mas está retomando esse processo licitatório. Lá existe, sim, a possibilidade de ter ônibus com ar-condicionado", explicou.

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Em relação à lotação dos veículos, o presidente orientou que os usuários registrem reclamações na Emdurb para análise da necessidade de reforço nas linhas. "Nós temos uma equipe que faz essa análise e verifica se existe a possibilidade de aumentar o número de ônibus, número de linhas", conta.

Com reajuste, Bauru passa a ter uma das tarifas de ônibus mais altas entre as cidades paulistas com até 500 mil habitantes. Um levantamento feito pela TV TEM em abril apontou que o município já tinha o terceiro maior valor do estado nessa faixa populacional.