Uma greve de funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) paralisou parcialmente as linhas 11, 12 e 13 na manhã desta terça-feira, 4 de agosto de 2026. Em resposta, o governo de São Paulo anunciou um plano de contingência para minimizar os impactos na mobilidade da região metropolitana.
Impacto imediato nas linhas afetadas
Segundo a CPTM, a circulação de trens nas linhas 11 (Luz – Estudantes), 12 (Brás – Calmon Viana) e 13 (Engenheiro Goulart – Aeroporto de Guarulhos) foi interrompida ou operou com intervalos muito maiores que o normal durante o pico da manhã. A paralisação começou por volta das 5h, horário de maior movimento, e atingiu diretamente milhares de passageiros que dependem do serviço para chegar ao trabalho ou à escola.
O Sindicato dos Ferroviários de São Paulo afirmou que a greve foi convocada após o fracasso das negociações sobre reajuste salarial e condições de trabalho. "Não houve avanço nas propostas da empresa, e a categoria decidiu parar para pressionar por melhores salários e segurança", disse um representante sindical, que preferiu não se identificar.
Medidas do governo estadual
O governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Transportes Metropolitanos, ativou o plano de contingência ainda na madrugada. A medida inclui o reforço da frota de ônibus do sistema intermunicipal, com aumento de até 30% no número de veículos nas corredores que atendem as regiões das linhas paralisadas, e a integração com o Metrô nas estações Luz, Brás e Corinthians-Itaquera.
Além disso, foram disponibilizados ônibus-gratuitos em pontos estratégicos, como a estação Engenheiro Goulart, para levar passageiros até o Aeroporto de Guarulhos, já que a linha 13 é a única que liga a capital ao aeroporto por trilhos. "Estamos trabalhando para garantir que ninguém fique sem opção de transporte", afirmou o secretário de Transportes Metropolitanos, Paulo Galli, em entrevista coletiva.
O plano também prevê a utilização de plataformas de embarque alternativas e orientação por meio de agentes nas estações, além de atualizações em tempo real pelos canais oficiais da CPTM e do governo.
Reação dos passageiros
Muitos passageiros relataram transtornos e atrasos. A auxiliar administrativa Maria Aparecida, de 34 anos, que utiliza a linha 12 diariamente, contou que esperou mais de uma hora por um trem na estação Brás. "É um caos. A gente não tem informação, e quando chega um trem, está lotado. Precisamos de respeito com o trabalhador", desabafou.
Já o estudante Lucas Oliveira, de 19 anos, que usa a linha 13 para ir ao aeroporto onde trabalha como menor aprendiz, conseguiu embarcar em um ônibus gratuito, mas reclamou da demora. "Achei boa a iniciativa do ônibus, mas ainda assim perdi o horário. O governo deveria ter resolvido isso antes", disse.
Negociações em andamento
O governo estadual informou que está aberto ao diálogo e que uma nova rodada de negociações com o sindicato está marcada para a tarde desta terça-feira. A CPTM, em nota, lamentou os transtornos e disse que está envidando esforços para normalizar o serviço o mais rápido possível, mas não comentou as reivindicações salariais.
Especialistas em transporte público apontam que a greve evidencia a fragilidade do sistema e a necessidade de investimentos contínuos. "A CPTM já opera no limite da capacidade, e qualquer paralisação causa um efeito dominó na região metropolitana", avaliou o engenheiro de transportes João Carlos Martins, da USP.
A expectativa é que a circulação seja totalmente normalizada até o fim do dia, caso haja acordo. Enquanto isso, o governo mantém o plano de contingência ativo e orienta os passageiros a buscarem alternativas de transporte e a evitarem horários de pico se possível.



