As inspetoras Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira da Silva, mortas em um ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco, em maio, foram homenageadas durante a cerimônia de aniversário de 64 anos do Acre na última segunda-feira (15). Elas receberam, de forma póstuma, a Ordem da Estrela do Acre no Grau de Cavaleiro, considerada a principal honraria concedida pelo governo estadual. A governadora Mailza Assis entregou as insígnias às famílias das vítimas.
Os familiares falaram sobre a saudade deixada pelas duas e o significado de vê-las lembradas. Para a família de Raquel, a homenagem tem um peso especial por acontecer em meio ao luto ainda recente. Ao g1, a irmã dela, Rayne Santiago, disse que o reconhecimento traz conforto, mas também reforça a falta que a servidora faz no dia a dia. “Foi muito importante minha irmã receber esse reconhecimento. Ela era uma mulher incrível e merece muito. Lógico que gostaríamos que ela recebesse esse reconhecimento em vida, mas Deus quis dessa forma. Somos muito gratos por ela ter sido lembrada nessa data tão importante”, afirmou.
Ainda segundo Rayne, a principal marca deixada por Raquel foi a forma como ela tratava as pessoas no dia a dia. “O maior legado que ela deixou foi a generosidade. Ela era uma pessoa que amava ajudar o próximo”, destacou.
A homenagem destinada à Raquel foi recebida pela mãe dela, Maria Sales Feitosa. Já a insígnia de Alzenir Pereira da Silva, conhecida por muitos alunos como 'Tia Zena', foi recebida pela filha Taciane Silva. “Estamos enfrentando uma dor muito grande com a perda, ainda não caiu a ficha. É muito difícil, principalmente porque minha filha está com um bebê recém-nascido”, relatou Roberto Bernardo da Silva, marido de Zena. Ele falou ainda, durante a cerimônia, sobre a dificuldade de lidar com a perda e sobre a importância do reconhecimento recebido pela família. “Além da dignidade, do carinho e do respeito que tinha pelo próximo, Zena era única”, disse.
Comoção
Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, e Alzenir Pereira da Silva, de 53, morreram após um ataque a tiros dentro do Instituto São José, em Rio Branco, no dia 5 de maio deste ano. A polícia informou à época que o autor dos disparos era um estudante de 13 anos. Além das servidoras mortas, uma outra funcionária foi baleada no pé e uma aluna levou um tiro na perna. Os feridos foram encaminhados para o pronto-socorro.
A morte das servidoras gerou grande comoção entre estudantes, ex-alunos, colegas de trabalho e familiares. O governo do Acre decretou luto oficial de três dias após o crime.
Colegas de trabalho descreveram as duas como profissionais dedicadas à comunidade escolar. Alzenir trabalhava havia cerca de 15 anos na instituição. Raquel atuava no colégio há cinco anos e também cursava enfermagem.
Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atenderam as vítimas. Equipes das polícias Militar e Civil, incluindo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e do Instituto Médico Legal (IML) estiveram no local. Na época, o g1 apurou que os alunos do turno da tarde já estavam em aula quando ouviram os disparos. Ainda conforme os sobreviventes, os estudantes ficaram muito assustados no momento do ataque, se jogaram no chão e tentaram fazer barricada com cadeiras.



